IX Fórum Fortaleza 2026 debate bloqueios na Internet, mudanças regulatórias e uso da faixa de 6 GHz para Wi-Fi


17 MAR 2026



Realizado pelo NIC.br, encontro acontece neste mês, em conjunto com o Fórum BCOP Fortaleza; Inscrições já estão abertas

Fortaleza, 17 março de 2026 – Bloqueios na Internet, mudanças regulatórias, novos usos do espectro para Wi-Fi e evolução da interconexão de voz estarão entre os temas abordados na 4ª edição do IX Fórum Fortaleza, que acontece em 24 e 25 deste mês. O encontro será realizado em conjunto com o Fórum BCOP Fortaleza 2026, marcado para o dia 26. Organizados pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), ambos os eventos estão com inscrições gratuitas abertas.

Assim como o IX Fórum, promovido desde 2007 em São Paulo (SP), o IX Fórum Fortaleza reúne especialistas, operadores de redes, provedores, empresas, reguladores e academia para debater questões relevantes para o desenvolvimento da Internet no Brasil e no mundo, com foco em infraestrutura técnica e no papel dos Pontos de Troca de Tráfego. Além da oportunidade de atualização, os participantes terão acesso ao "Beer, Peer & Gear", tradicional evento de networking e confraternização.

"A cidade de Fortaleza é estratégica para a Internet no Brasil e na América Latina, com uma das maiores concentrações mundiais de cabos submarinos e sede do segundo maior Ponto de Troca de Tráfego do país, o IX.br Fortaleza. Por isso, o NIC.br realiza na capital cearense mais uma edição do tradicional IX Fórum, cuja agenda reflete desafios atuais relacionados à infraestrutura da Internet", afirma o Diretor de Projetos Especiais e de Desenvolvimento do NIC.br, Milton Kaoru Kashiwakura.

A abertura oficial desta 4ª edição contará com as participações de Kashiwakura (NIC.br) e Hugo Santana de Figueirêdo Junior, presidente da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice). Veja os principais assuntos que serão discutidos:

Bloqueios por IP e DNS

A discussão sobre bloqueios por Protocolo de Internet e Sistema de Nomes de Domínios e seus impactos retorna à agenda do evento após ter sido pauta em edições anteriores do Fórum. O tema será abordado inicialmente na palestra "Entre a origem e o destino: um panorama dos bloqueios na Internet Brasileira", ministrada por Thiago Ayub (Sage Networks), e aprofundado no painel "Bloqueios de IP e DNS na Internet e seus efeitos colaterais". O debate terá a moderação de Raquel Gatto (NIC.br) e as participações de Antonia Affinito (Universidade de Twente — Holanda), Basílio R. Perez (Federação de Associações de Provedores de Internet da América Latina e Caribe — LAC-ISP e Associação Brasileira de Internet — ABRINT), Flávia Lefèvre (Instituto Núcleo de Pesquisas, Estudos e Formação — NUPEF), Gesiléa Fonseca Teles (Agência Nacional de Telecomunicações — Anatel) e Thiago Ayub (Sage Networks).

"A crítica central é: bloqueios eficazes e com menor dano colateral deveriam ocorrer na origem, onde o conteúdo/serviço está hospedado ou ativo. No Brasil, com frequência se tenta impor bloqueios na infraestrutura mais básica, que não é um lugar apropriado para esse tipo de intervenção”, explica o Gerente de Projetos e Desenvolvimento no NIC.br, Antonio M. Moreiras. Ele acrescenta: "Isso amplifica riscos de fragmentação e perda de confiança na infraestrutura global e gera consequências como sobrebloqueio, potencialmente derrubando milhares de serviços legítimos que compartilham IPs, CDNs [Rede de Distribuição de Conteúdos], anycast, resolvers ou infraestrutura comum."

AFC e uso da faixa de 6 GHz para Wi-Fi

O painel "AFC: uma nova oportunidade de espectro Wi-Fi para provedores" discute a possível liberação do uso outdoor da faixa de 6 GHz para Wi-Fi e o que isso destrava em termos de capacidade e alcance. A proposta é tratar, de forma prática, como a AFC (Automatic Frequency Coordination) coordena canais e potência a partir de bases de dados para proteger incumbentes e viabilizar operação de maior potência fora de ambientes internos.

Sob moderação de Gilberto Zorello (NIC.br), os especialistas Eduardo Parajo (Associação Brasileira de Internet — ABRANET), Maximiliano Martinhão (Qualcomm), Rodrigo Porto Cavalcanti (Universidade Federal do Ceará — UFC) e Sidney Azeredo Nice (Agência Nacional de Telecomunicações — Anatel) discutirão o tema.

Interconexão de voz via SIP no IX.br

A evolução da interconexão de voz baseada em SIP (Session Initiation Protocol) e suas implicações regulatórias e técnicas serão discutidas no Painel "A transformação da interconexão de voz e o papel do IX.br e do SIP-IX". Alexandre Ferreira (SIP-IX), Claudio Trigueiro (TIM Brasil), Elton Salvador (Unifique), Fábio Casotti (Agência Nacional de Telecomunicações — Anatel), Julio Sirota (NIC.br) e Luiz Henrique Barbosa da Silva (Associação Brasileira de Provedores de Serviço de Valor Adicionado e Telecomunicações — TelComp) participarão do debate. Em um contexto de muitas mudanças, como o final do regime de concessões e a liberação de numeração telefônica para os licenciados SCM à partir de 2027, o painel analisará como o serviço SIP-IX utiliza a infraestrutura do IX.br em São Paulo e por quais razões infraestruturas desse tipo são importantes. A moderação ficará por conta de Rafael Bucco (TeleSíntese).

Panorama europeu de regulação

A programação também inclui uma análise das mudanças regulatórias em curso na Europa e seus potenciais impactos no ecossistema global de conectividade e possíveis reflexos no Brasil. O tema será apresentado na palestra "O EU Digital Network Act: um novo capítulo na regulação da conectividade, desafios e impactos para os IXPs”, ministrada por Innocenzo Genna, do Namex/Itália. A sessão discute tendências relacionadas à infraestrutura, competição e governança técnica das redes, além de possíveis reflexos para os Pontos de Troca de Tráfego no país.

Papel estratégico do IX.br Fortaleza

O IX.br Fortaleza como elemento central da infraestrutura de Internet no Nordeste e a cidade como polo de conectividade internacional. O assunto será abordado na apresentação "Update: IX.br Fortaleza", de Julio Sirota (NIC.br), e nas palestras "Panorama das Redes Submarinas e o Mercado de Conectividade no Brasil", de Peter Wood (Telegeography), "Fortaleza: além dos cabos submarinos", de Octávio Henrick Oliveira de Rezende (Sage Networks), e "A rota mais curta, o custo mais baixo: por que o Nordeste precisa de Fortaleza", de Marcos Pedro Reis Dourado Oliveira (IVI Telecom). As sessões exploram como a interconexão regional fortalece resiliência, reduz dependências desnecessárias e melhora a experiência dos usuários finais e das redes participantes.

Para conhecer a programação completa, com horários e ordem dos painéis e palestras, acesse o site oficial do evento: https://fortaleza.forum.ix.br/.

Fórum BCOP Fortaleza 2026

A agenda do Fórum BCOP Fortaleza 2026 foi estruturada para conduzir o participante desde o entendimento operacional de ataques e estratégias de mitigação até recomendações objetivas de hardening (fortalecimento de sistemas) e boas práticas. O evento contará ainda com o lançamento oficial do Desafio BCOP 2026, iniciativa voltada a estimular a melhoria contínua da infraestrutura de rede.

Na palestra "Mitigação de DDoS para ISPs", Thiago Ayub (Sage Networks) detalhará as diferenças entre exaurimento de banda, PPS (Packets Per Second) e CPU (Central Processing Unit), falará sobre boas práticas de preparação, além de estratégias como RTBH (Remote Triggered Black Hole) e especificações de fluxo (FlowSpec).

Já a sessão "Prevenção, detecção e resposta ao ransomware", conduzida por Lucimara Desiderá (Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil – CERT.br/NIC.br), será focada na ideia de que o "básico que faz diferença" para enfrentar ransomware, conectando medidas preventivas, técnicas de detecção precoce e passos mínimos de resposta.

Na apresentação "Recomendações de segurança para provedores", Marcelo Gondim (ISPFocus) abordará soluções práticas para três vulnerabilidades recorrentes: como implantar anti-spoofing de forma efetiva; hardening de CPEs – equipamentos utilizados para conectar assinantes à rede de um provedor de Internet –, com foco em evitar exposição desnecessária de serviços, reduzir credenciais fracas e impedir que equipamentos virem parte de botnets e vetores de amplificação; e como tratar a exposição de endereços e portas de roteadores, reduzindo a superfície de ataque e o risco de interrupção.

Desafio BCOP 2026


Eduardo Barasal e Holger Wiehen, ambos do NIC.br, conduzirão o lançamento do Desafio BCOP 2026 (Boas Práticas Operacionais de Redes), iniciativa voltada a reconhecer e premiar instituições detentoras de Número de Sistema Autônomo (ASN) que demonstram compromisso com a melhoria contínua da operação e da segurança de suas redes.

O modelo de avaliação baseia-se em apuração mensal ao longo de seis meses, considerando um conjunto de critérios técnicos objetivos. Entre eles estão a disponibilidade de IPv6 medida pelo SIMET, a validade dos anúncios no RPKI (Resource Public Key Infrastructure), a validação de DNSSEC (Domain Name System Security Extensions) em servidores recursivos, a implantação de mecanismos de anti-spoofing, o anúncio completo do bloco IPv6 no roteamento global e a participação em pelo menos um IX do IX.br com visibilidade dos blocos do ASN no looking glass do ATM (Acordo de Troca Multilateral).

Além da pontuação técnica acumulada ao longo do período, o desafio também prevê pontos adicionais para instituições cujos profissionais participem de cursos e eventos promovidos pelo NIC.br, incentivando uma evolução contínua das redes e o engajamento com iniciativas de capacitação do ecossistema.

Encerramento

Ao final, o evento prevê credenciamento e aplicação de prova de certificação AceleraNET, reforçando o caráter de capacitação e compromisso com boas práticas operacionais.

Confira a programação completa: https://fortaleza.forumbcop.nic.br/

Anote na agenda
IX Fórum Fortaleza 2026
Datas: 24 e 25 de março de 2026
Local: Fábrica de Negócios – Av. Monsenhor Tabosa, 740 - Centro, Fortaleza - CE
Inscrições: https://fortaleza.forum.ix.br/ 

Fórum BCOP Fortaleza 2026
Data: 26 de março
Local: Fábrica de Negócios
Inscrições: https://fortaleza.forumbcop.nic.br/

Sobre o IX.br
O Brasil Internet Exchange (IX.br) é uma iniciativa do CGI.br e do NIC.br que visa à instalação e operação de Pontos de Troca de Tráfego Internet (PTTs) e provê a infraestrutura necessária para a interligação direta dos Sistemas Autônomos (ASs) que compõem a Internet. O IX.br colabora para reduzir os custos e melhorar o desempenho das redes participantes e de toda a Internet, seguindo a definição da Internet eXchange Federation. A iniciativa já abrange mais de 30 Internet Exchanges independentes, distribuídos pelas cinco regiões do País. Mais informações em: https://ix.br/.

Sobre o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR – NIC.br   
O Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR — NIC.br (
https://nic.br/) é uma entidade civil de direito privado e sem fins de lucro, encarregada da operação do domínio .br, bem como da distribuição de números IP e do registro de Sistemas Autônomos no País. O NIC.br implementa as decisões e projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil - CGI.br desde 2005, e todos os recursos arrecadados provêm de suas atividades que são de natureza eminentemente privada. Conduz ações e projetos que trazem benefícios à infraestrutura da Internet no Brasil. Do NIC.br fazem parte:  Registro.br (https://registro.br), CERT.br (https://cert.br/), Ceptro.br (https://ceptro.br/), Cetic.br (https://cetic.br/), IX.br (https://ix.br/) e Ceweb.br (https://ceweb.br), além de projetos como Internetsegura.br (https://internetsegura.br) e Portal de Boas Práticas para Internet no Brasil (https://bcp.nic.br/). Abriga ainda o escritório do W3C Chapter São Paulo (https://w3c.br/).  

Sobre o Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br  
O Comitê Gestor da Internet no Brasil, responsável por estabelecer diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da Internet no Brasil, coordena e integra todas as iniciativas de serviços Internet no País, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a disseminação dos serviços ofertados. Com base nos princípios do multissetorialismo e transparência, o CGI.br representa um modelo de governança da Internet democrático, elogiado internacionalmente, em que todos os setores da sociedade são partícipes de forma equânime de suas decisões. Uma de suas formulações são os 10 Princípios para a Governança e Uso da Internet (https://cgi.br/resolucoes/documento/2009/003). Mais informações em https://cgi.br/. 

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