Revista .br
Ano 2 | 2010 | Edição 02
Publicação do Comitê Gestor da Internet no Brasil
E-Gov: Tecnologia
a serviço da maior
transparência nas
relações entre
Governo e cidadãos
Como as lanhouses
estão ampliando o
acesso à Internet e
revolucionando a vida
dos brasileiros
A PRÓXIMA WEB
O QUE ESPERAR DO FUTURO DA INTERNET
Quando isso acaba, você se preocupa
O IPv6 é a nova geração do Protocolo Internet.
Essa versão já vem sendo utilizada há algum tempo, mas sua implantação deve ser acelerada. Ela é impressindível para a continuidade do crescimento e da evolução da Internet.
O IPv6 é necessário porque os endereços livres no IPv4 estão acabando. As previsões indicam que eles se esgotarão por volta de 2010 ou 2011.
Prepare-se para esta implantação:
E-learning - Curso de Introdução ao IPv6 - http://www.ipv6.br/curso
Apoie o pleno crescimento da rede.
Adote IPv6
UMA REDE DE PESSOAS
Augusto Cesar Gadelha
Secretário de Política da Informática / Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
Coordenador do CGI.br
Existem muitas formas de se perceber a Internet
quanto ao seu significado e impacto. O segundo número
da Revista.br nos remete a uma delas: é uma
ferramenta que promove a interação entre pessoas.
Embora também a chamemos de rede mundial
de computadores, a Internet é o instrumento mais
revolucionário já concebido para a comunicação e
relacionamento entre pessoas e são essas que dão
o maior significado à rede. Na matéria de capa, “A
web 3.0”, vemos como a disponibilização de informações
com agregados semânticos e seu processamento
por técnicas de inteligência artificial
passam a ser tão importantes para a evolução da
web quanto a própria participação das pessoas. Na
realidade, objetos também alimentarão com grande
quantidade de conteúdos, através de sensores
inteligentes, a Internet do futuro, e essa massa
imensa de informações terá de ser igualmente processada
por essas técnicas.
Como indicam as “Análises dos indicadores do
uso das TICs”, o brasileiro utiliza crescente e destacadamente
a Internet (e sua camada web) para
lazer e educação. Nesse momento, podemos nos
orgulhar de ter um pedaço da rede com características
cada vez mais brasileiras. Aqui, as redes
sociais são fenômenos que já foram descritos por
Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil.
A Rede veio reforçar os nós (tanto o substantivo
quanto o pronome pessoal !) sociais, e não reinventá-
los. Mais indicadores sobre a Internet brasileira,
também, estão disponíveis no suplemento “Panorama
Setorial da Internet”.
Um tema de grande importância e que, mesmo
tendo recebido crescente atenção, está longe de
haver atingido o consenso, é o escorregadio terreno
da propriedade intelectual. A discussão sobre
os direitos do autor de uma obra nos leva a pensar
na questão da propriedade do conhecimento.
Essa questão é abordada nesta edição em matéria
sobre Legislação. Igualmente, a Neutralidade
da Rede, conceito pelo qual o tráfego na Internet
não deve ser controlado, por razões ideológicas
ou econômicas, é mais uma importante questão
em debate em todo o mundo, sendo aqui o tema
de mais um artigo.
Em “A dianteira brasileira” trazemos a unanimidade
quanto à utilidade do Governo Eletrônico.
Mesmo havendo caminhos a serem percorridos, a
disponibilização de serviços públicos na web promove
ganhos de eficiência, em toda a sociedade, e
maior conforto, para a população em geral.
Vint Cerf, criador de uma parte fundamental de
toda essa nova vida digital, veio ao Brasil e aproveitou
para saber um pouco mais sobre as “Novas
perspectivas” do uso das TICs na educação dos
brasileiros. Desde a primeira vez que esteve aqui,
em 1975, até hoje, o Brasil evoluiu em muitos aspectos.
Os esforços para uma maior inclusão social,
que insere a promoção do uso de tecnologias
digitais na educação, é um fato a ser comemorado,
mas com a consciência de que muito tem ainda a
ser realizado. O fenômeno das lanhouses e o crescimento
do uso da Internet demonstra a sede de
conhecimento, conectividade e diversão de nossos
cidadãos.
Convidamos o leitor a debater os temas levantados
nesta edição, pela importância que têm na
evolução da Internet e, portanto, em nossas vidas.
A Internet também precisa de caminhos curtos e eficiêntes. O
PTT.br é a solução.
PTTMetro é uma iniciativa do CGI.br que mantém a infra-estrutura necessária para a interconexão direta entre as redes (
Autonomous Systems) que compõem a Internet Brasileira.
A atuação do PTTMetro está voltada às regiões metropolitanas do País que apresentam grande interesse em troca de tráfego Internet.
Acesse:
http://www.ptt.br/
NOTAS . BR
Economia
Contra a crise
TI Verde
Mais da metade das empresas
do Brasil já implementam ou
irão implementar projetos
sustentáveis na área de Tecnologia
da Informação, indica pesquisa
sobre o tema conduzida pela
Symantec. As chamadas iniciativas
de TI Verde já faziam parte da
rotina de 51% das companhias
que responderam à pesquisa e
ganharam ainda mais força com
a crise econômica mundial. A
explicação está na necessidade
crescente de reduzir custos. A
pesquisa revela que a principal
preocupação de executivos
latino-americanos é diminuir o
consumo de energia elétrica e ar
condicionado em suas empresas
– antes mesmo da preocupação
com o aquecimento global.
Telefonia
Banda larga para todos
O Plano nacional de Banda Larga (PNBL) pretende de maneira
efetiva universalizar o acesso à Internet rápida para a maioria dos
brasileiros. Desde o final do ano passado, o governo federal tem
promovido reuniões com representantes de vários setores da
sociedade, como os donos de
lanhouses, para coletar sugestões.
o PNBL deve custar cerca de 14 bilhões de reais até 2014, para
atingir de maneira efetiva mais de 4 mil municípios no Brasil.
Tecnologia
Automóveis chipados

Até 30 de junho de 2014, todos os veículos que
circularem pelas cidades do País serão monitorados
por chips, garante o Departamento nacional
de Trânsito (Denatran). A iniciativa, prevista na
implementação do Sistema Nacional de Identificação
Automática de Veículos, irá permitir, entre outras
coisas, informar se os motoristas estão respeitando as
leis de trânsito, se estão em dia com suas obrigações
e até mesmo identificar carros roubados em rota de
fuga. serão instaladas pequenas etiquetas eletrônicas
na parte interna do pára-brisa, próxima ao retrovisor
central. A medida ajudará ainda na gestão do trânsito
nas grandes cidades e nas rodovias.
Legislação
Marco regulatório Civil
da internet em pauta
O Ministério da Justiça colocou em consulta pública o Marco
regulatório Civil da Internet no Brasil. As contribuições servirão de
base para o texto que será encaminhado ao Congresso nacional em
forma de Projeto de Lei. Um dos principais temas a serem debatidos
é a responsabilidade civil de cada indivíduo na Internet. A Justiça vem
analisando casos deste tipo individualmente, o que, segundo alguns
especialistas, tem levado a decisões divergentes. Ao determinar uma
legislação específica, o Marco deve resolver problemas como esse.
A primeira fase da consulta terminou com mais de 800 contribuições,
que podem ser vistas no endereço
http://culturadigital.br/ marcocivil
Inovação
Inclusão digital
pela tomada

A Aneel (Agência Nacional de
Energia Elétrica) autorizou o uso
da tecnologia que prevê acesso à
Internet em alta velocidade por
meio da rede elétrica. O sistema
que já vinha sendo testado com
sucesso, em algumas cidades do
País, será mais uma alternativa
para quem quiser acessar a
rede mundial de computadores.
Usuários não precisarão fazer
qualquer adaptação em seus
sistemas elétricos para usufruir o
serviço, que foi desenvolvido com
base na BPL (
Broadband over Power
Lines). A maior preocupação
da Anatel era em relação a
possíveis interferências da BPL
na radiofusão, preocupação que
foi minimizada após séries de
testes. o novo serviço deve ser
um grande aliado da inclusão
digital, já que a estrutura das
redes elétricas atinge 98% dos
domicílios brasileiros.
Crescimento
Mercado em alta
Nem a crise econômica mundial é capaz de frear o
crescimento do mercado brasileiro de tecnologia da
informação. Segundo projeções da consultoria IDC, o setor
apresentou em 2009 expansão de 5,7% – contra 4% da
América Latina. Executivos do setor apontaram os aumentos
em eficiência operacional como principal motivador, seguidos
do aumento da receita e renegociações de contratos, nesta
ordem. As áreas que devem receber mais investimentos,
segundo a mesma pesquisa, são as de Business Inteligence;
virtualização de servidores; convergência de voz sobre IP;
aprimoramento da estratégia de terceirização; software como
serviço (SaaS); e conformidade e segurança.
A web 3.0
A INTERNET VAI DAR UM SALTO
QUALITATIVO COM A WEB SEMÂNTICA
ALESSANDRO GRECO

O surgimento em 1991 da World Wide Web, a camada da
rede que mais conhecemos hoje em dia, colocou em
um novo patamar as relações humanas, de negócios
e científicas. Desde então, nada mais foi como antes.
Encontrar aquilo que se procurava ficou mais fácil, ágil e a um
simples clique no mouse. Quem busca, por exemplo, uma padaria
em São Paulo capaz de fazer bons croissants de catupiry pode
entrar em algum serviço de busca na rede e digitar as palavras-chave
de sua pesquisa: São Paulo, padaria e catupiry. O Google,
por exemplo, retorna 874 resultados, mas os três primeiros deles
não se referem a uma padaria de São Paulo que tenha croissant de
catupiry. “Quando pensamos na web, hoje, imaginamos procurar
um documento que tenha algumas palavras e esperamos que ele
seja útil para resolver alguns de nossos problemas”, disse à Revista
.br o pesquisador James Hendler, do Instituto Politécnico Rensselaer,
que desde 1824 funciona na cidade de Troy, no estado de Nova
York (EUA). “Mas frequentemente o que estamos procurando pode
ser informação que está espalhada por diversos sites ou que necessite
de informação de mais de um site.” Hendler afirma que seria
muito mais interessante, por exemplo, receber uma lista com
todas as padarias de São Paulo que têm o produto, e caberia ao fã
de croissants decidir por aquela mais próxima. “Achar essa informação
de maneira estruturada é muito difícil, hoje. Uma web que
tivesse mais ‘respostas’, ou que mostrasse uma lista de possibilidades,
ou que pudesse nos ajudar a encontrar coisas para as quais
não sabemos a palavra certa, requer uma nova tecnologia”, explica
o pesquisador.
Para chegar a este ponto, os computadores que fazem parte da
WWW terão de ser capazes de processar e gerenciar as informações
que são colocadas neles por centenas de milhões de usuários e processar
dados a partir de conceitos de inteligência artificial. Muitos
pesquisadores, Hendler inclusive, acreditam que a forma de conseguir esse entendimento quase humano
a uma pergunta é a web semântica
(também chamada de Web 3.0). Ou
como alguns se atrevem a classificar –
“a Internet das coisas.”
"Uma web que
tivesse mais
‘respostas’, ou que
mostrasse uma lista
de possibilidades,
ou que pudesse nos
ajudar a encontrar
coisas para as
quais não sabemos
a palavra certa,
requer uma nova
tecnologia"
James Hendler
A idéia de uma rede mundial de
computadores com essas características
chegou ao grande público em
2001, em um artigo da revista Scientifi c
American pelas mãos de Hendler, do
pesquisador Ora Lassila e do criador
da WWW, o físico inglês Tim Berners-Lee. “A web semântica é
uma extensão da web atual na qual
é dada à informação um significado
bem definido, permitindo que computadores
e pessoas trabalhem em
cooperação”, disseram Hendler, Lassila
e Berners-Lee. Oito anos depois,
a Internet ainda não tem muitas
aplicações de web semântica, mas
o futuro a curto prazo é promissor,
segundo Karin Breitman, professora
do Departamento de Informática
da pontifícia Universidade Católica
do rio de Janeiro e autora do livro
Web Semântica: a Internet do futuro.
Ela é hoje uma das principais
autoridades no assunto no país. “A
web semântica está sendo paulatinamente
incorporada em novos
serviços, como o WolframAlpha”,
afirma numa referência ao serviço
de busca lançado recentemente e
que traz uma nova experiência na
procura por informações na rede.
Siri
A maior parte dos serviços, sites
ou softwares, na Internet que já utiliza a web semântica não o faz de
forma explícita, como o Wolfram.
“Alguns desses sites você já conhece
e utiliza (por exemplo, o Google
anunciou recentemente que está
começando a utilizar tecnologia semântica),
e outros estão tentando
dividir seus dados com outras empresas
na tentativa de criar ‘informações
cruzadas’, que tornem seu
conteúdo mais disponível”, explica
Hendler.
Nos próximos três anos muito
mais desse tipo de conteúdo deve
estar disponível e em até dez anos,
novas tecnologias integradas a ele
permitirão a interação com a web
de novas formas. Em uma demonstração
recente, a startup americana
Siri mostrou uma pessoa marcando
uma viagem com a sua agência por
meio do telefone celular. O agente
de viagem, no entanto, era virtual.
Em todo o processo não houve nenhuma
interação do cliente com
humanos. O Siri nasceu do projeto
Cognitive Assistant that Learns and
Organizes (Calo), o maior projeto
de inteligência artificial da história
dos Estados Unidos, financiado
pela agência Darpa, a mesma que
em 1969 financiou a Arpane t, que
se transformaria na Internet atual.
O programa da Siri deve estar disponível
para os consumidores até
o final do ano. “Em dez anos, tecnologias
como esta estarão espalhadas
na rede e não iremos mais
pensar na web como um local para
procurar documentos, mas como
uma forma de ter mais coisas feitas”,
afirma o professor Hendler.
Origens
As novas habilidades da web semântica,
no entanto, não são conceitualmente
novas. A idéia de dar
sentido e uma interpretação única
ao que se fala não é nova. Ela está
nos primórdios da pesquisa de inteligência
artificial, mas já existia
também muito antes, na biblioteca
de Alexandria, com os metadados.
“O conceito de ter uma ficha catalográfica
de um livro sobre Alexandre,
o Grande, que faça referência a um
livro sobre ele, mas que não é o livro
propriamente dito, é um metadado
e já é semântico”, explica Karin.
Os metadados (ou dados sobre dados) estão no cerne da web semântica,
pois, se usados de forma
padronizada, podem ser processados
por pessoas e softwares. “Atualmente,
a maior parte dos recursos
primários presentes na web está
em uma linguagem natural, de
modo que só pode ser interpretada
por seres humanos”, afirma Karin. E
completa: “A grande verdade é que
a web se desenvolveu mais rapidamente
como um meio de troca de
documentos entre pessoas, em vez
de ser um meio que fomentasse a
troca de dados e informações que
pudessem ser processados automaticamente”.
"Os metadados
(ou dados sobre
dados) estão no
cerne da web
semântica"
As dificuldades para dar este
passo, no entanto, existem. É preciso
que todos façam seus sites e
softwares pensando na comunidade,
usando um padrão ou dizendo o
que significa cada um dos dados que
está utilizando. “Imagine que você
faz uma máquina de café expresso
com uma tomada toda esquisita. Se
você quiser que todo mundo a use
terá de fornecer também os adaptadores. Mas se você já a fizer no
padrão todos poderão utilizá-la”,
explica Karin. Assim ficará mais fácil
para todos desenvolverem aplicações
de maneira padronizada.
A professora da PUC-Rio também
acredita que essa padronização será
feita ao poucos, que paulatinamente
haverá o aumento da qualidade
da semântica relacionada às informações
na WWW. “Em algumas
áreas é mais fácil, como no caso
do WolframAlpha. Dados estatísticos,
de população e mortalidade
infantil, por exemplo, aparecem de certa
maneira. Em outras áreas é muito
mais difícil”, afirma a pesquisadora. O
caso das páginas pessoais é um exemplo
dessa complexidade. Na maioria
dos casos, não há padrão para nada.
Cada um cria sua página do jeito que
bem entende. “pense na página de uma
designer, de um jornalista. Se você for
colocar a sua página na WWW e quiser
que ela tenha semântica, ela terá de
seguir um padrão ou informar, de alguma
forma, o que significa cada um dos
dados que você coloca lá, ou seja, terá
de usar uma ontologia”, argumenta Karin.
Com o crescimento exponencial da
WWW e os bilhões de páginas contidos
nela atualmente, a falta de uma semântica
pode fazer com que fiquemos sufocados pela imensa quantidade de
dados que já estão na WWW. Afinal,
você não vai querer ficar procurando
nos resultados de uma busca qual padaria
em São Paulo tem croissant de
catupiry. Você quer as padarias de São Paulo que tenham croissant de catupiry.
“[A web semântica] será uma necessidade”,
finaliza Karin.
Tim Berners-LEE

O físico inglês Tim Berners-Lee nunca quis patentear sua invenção, a
World Wide Web (WWW). sempre acreditou que seu invento era uma
ferramenta social, e não um brinquedo para poucos, e que somente teria
sucesso se não estivesse vinculado a nenhum sistema proprietário, fosse
totalmente aberto e livre para ser usado por quem bem entendesse e
que fosse fácil de usar. Para ele, a WWW não é diferente de outras informações
e é preciso verificar sua origem para saber se ela é confiável ou
não. É necessário, também, ter padrões que garantam que todos consigam
acessar as páginas da WWW e, para tanto, ele criou, em 1994, o World
Wide Web Consortium (W3C) no Massachusetts Institute of Technology
(MIT). novamente tudo (padrões e recomendações) criado no W3C está
disponível gratuitamente para quem quiser usá-lo. Em 2001, Berners-Lee
lançou publicamente sua idéia da web semântica, uma web capaz de processar
e cruzar informações, consolidá-las e trazer resultados mais relevantes
para seus usuários.
1965
Dois
computadores
no Laboratório
Lincoln do MIT
conversam
entre si usando
a tecnologia
de troca
de pacotes,
ferramenta
fundamental
para fazer
uma rede de
computadores.
1969
Criação da ARPANET (acrônimo em inglês
de Advanced Research
Projects Agency
Network), a primeira
rede operacional de
computadores à base
de troca de pacotes,
e precursora da
Internet. os primeiros
computadores são
conectados em rede
entre a Universidade
da Califórnia (Los
Angeles) e o Stanford
Research Institute. Pouco
depois, Universidade da
Califórnia (Santa Barbara
e Universidade de Utah)
se unem à rede. Estava
criada a ARPANET,
primeira rede.
1972
Primeiro
programa
de e-mail é
escrito pelo
programador
Ray Tomlinson.
1973
Primeira
conexão
internacional
da ARPANET
é realizada.
A conexão
é com a
University
College of
London
(Inglaterra)
e o Instituto
de Pesquisa
Norsar
(Noruega).
1974
É criado
um novo
protocolo
de troca de
pacotes para
a ARPANET, o
TCP, por Vint
Cerf e Robert
Kahn, que
seria a pedra
fundamental
do padrão
mundial
utilizado até
hoje.
1980
O físico inglês
Tim Berners-
Lee propõe um
projeto baseado
no conceito de
hipertexto para
facilitar a troca de
informações entre
pesquisadores do
CERN, e escreve
um protótipo para
ele, o programa
“ENQUIRRE”, a
semente do que
se tornaria a World
Wide Web.
1983
o sistema
de nomes
de Domínio
(DNS,
Domain
Name
System) é
projetado
por Jon
Postel, Paul
Mockapetris
e Craig
Partridge.
os domínios
.edu, .gov,
.com, .mil,
.org, e .net
são criados.
1984
O escritor
William
Gibson
publica o livro
Neuromancer e
cunha o termo
ciberespaço.
1991
Com base
em idéias
similares à do
“ENQUIRE”,
Berners-Lee
disponibiliza o
primeiro site
da World
Wide Web,
após ter
criado a sua
linguagem
(HTMl),
as regras de
comunicação
entre um
servidor e
um cliente
(HTTP).
1993
O browser
Mosaic é
desenvolvido
por Marc
Andreesen
e Eric Bina
no National
Center for
Supercomputing
Applications
(NCSA) da
Universidade
de Illinois
(Champaign-
Urbana). No
ano seguinte,
1994, os dois
fundariam a
Netscape
1995
Google da sua época,
o Altavista surgiu
em 1995 como o
primeiro grande
índice da Internet.
Também introduziu o
recurso de tradução
automática de páginas,
que mais tarde seria
adotada por outros
engenhos de busca.
Em fevereiro de 2003,
a empresa assinou
com a Overture uma
opção de venda, mas
em julho do mesmo
ano a overture foi
vendida para o Yahoo!.
O serviço continua no
ar e é utilizado pelo
seu atual dono para
fazer testes de novas
tecnologias de busca.
1996
Dois estudantes
de graduação da
Universidade de
Stanford, Larry
Page e Sergei
Brin, criam um
sistema de
busca chamado
Backrub,
rebatizado no
ano seguinte de
Google.
Pesquisa TIC 2008
A pesquisa sobre o uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil (TIC),
realizada pelo CETIC.br, está na sua quarta edição. A cada edição da revista .br haverá uma
seção com alguns dados desse trabalho de extrema importância para a Internet no Brasil.

Do total da população brasileira, 34% podem ser considerados
usuários da Internet (utilizam a rede a cada 3
meses, no mínimo). Entre esses usuários, a diferenciação
por classe social guarda a maior discrepância, com uma
diferença de 76 pontos percentuais entre a classe A (89%)
e as classes D e E (13%). Já as análises por faixa etária
mostram que os mais jovens são os usuários mais assíduos
da rede. Na faixa entre 16 e 24 anos, a proporção de
usuários da Internet foi de 61%. Porém, na faixa entre 45
e 59 anos, somente 13% dos respondentes utilizaram a
Internet nos três meses anteriores à pesquisa, e na faixa
de 60 anos ou mais, apenas 2%.
Dentre as atividades realizadas na Internet, os destaques
ficam para o crescimento do grupo de atividades de lazer
e para as atividades relacionadas a treinamento e educação.
Entre 2005 e 2008, o crescimento das atividades
de lazer foi de 15 pontos percentuais, passando de 71%
para 86% na última medição. Com relação a treinamento e
educação, o aumento foi sensivelmente maior: 16 pontos
percentuais, passando de 56% em 2005 para 72% em 2008.
O grupo de atividades de comunicação também apresenta
tendência de crescimento.
Apesar da tendência de estabilidade apresentada no acesso
à Internet, através de centros públicos de acesso pago,
a pesquisa revela que o crescimento continua sendo efetivo
nas faixas de renda mais baixas da população, de até
dois salários mínimos, que representam cerca de 45% dos
usuários de Internet no País. A despeito do custo elevado
para acesso à Internet nos domicílios, vislumbra-se que
as
lanhouses e os cyber cafés oferecem oportunidade de
acesso às camadas economicamente menos favorecidas
da população.
Sobre as atividades de treinamento e educação, observa-se
que o destacado desempenho apresentado entre 2005 e 2008
deve-se, principalmente, a “realizar pesquisas escolares”, que
passou de 47% em 2005 para 65% em 2008. A atividade “buscar
informações sobre cursos de graduação, pós-graduação
e extensão”, também, cresceu expressivamente, passando de
5% em 2005 para 22% em 2008. Entretanto, ambas as atividades
apresentaram estabilidade entre 2007 e 2008.
O uso do celular para acesso à Internet continua reduzido
em comparação às demais atividades realizadas nos telefones
móveis. somente 6% daqueles que possuem um telefone
celular disseram tê-lo utilizado para acesso à Internet. Esse
percentual se tem mantido praticamente constante nos últimos
quatro anos. O uso da Internet, assim como a realização
das demais atividades estão fortemente concentrados nas
camadas mais ricas da população.
Ao analisar a evolução dos internautas que efetivamente
compraram pela rede nos últimos 12 meses, observa-se
que a faixa entre três e cinco salários mínimos é a única
que apresenta crescimento efetivo no período, passando
de 8% em 2006 para 11% em 2007 e chegando a 15% em
2008. É possível que essa faixa tenha sido impulsionada pela
maior disponibilidade de crédito observada na última década
no País.
Os resultados sobre a proporção de usuários que encontraram
problemas de segurança apresentam tendência de
crescimento, passando de 23% em 2005 para 30% em 2008.
Ao analisar o perfil dos respondentes, constata-se que declararam
a ocorrência de incidentes aqueles que possuíam
maior grau de instrução e de renda familiar. Tal fato poderia
indicar que a percepção do usuário quanto aos problemas
de segurança está relacionada a fatores socioeconômicos.
Os resultados da pesquisa mostram que 94% das empresas
brasileiras com dez funcionários ou mais utilizam computadores,
e que esse percentual atinge 100% nas empresas
com 50 funcionários ou mais e 92% nas empresas menores
(de dez a 49 funcionários). Tal resultado confirma a tendência,
verificada no ano anterior, de uso generalizado do
computador nas empresas de maior porte.
O percentual médio de funcionários
das empresas brasileiras
que utilizam computador no
local de trabalho é de 50% em
2008. note-se que, por porte,
o menor percentual de funcionários
utilizando computador
é registrado nas empresas médias
(46%). Considerando os
setores de atividade, merece
destaque o segmento de atividades
imobiliárias, aluguéis e
serviços prestados às empresas,
no qual, em média, 69%
dos funcionários têm acesso
ao computador.
A presença de redes sem fio, além de ser mais
expressiva nas empresas maiores, nos dois últimos
anos sua utilização cresceu de maneira mais
intensa nas empresas médias e grandes. Dessa
forma, pouco mais de 70% das empresas acima
de 250 funcionários têm redes sem fio, enquanto
esse percentual é de 32% nas empresas de pequeno
porte com dez a 49 funcionários. Assim
como ocorre com as redes LAN, a presença de
Intranet e Extranet aumenta com o porte da empresa.
Em 2008, 32% das empresas que possuíam
computadores tinham também Intranet e 21%
declararam possuir Extranet.
Os resultados da pesquisa mostram que, nos 12 meses anteriores
à pesquisa, quase a totalidade (89%) das empresas
brasileiras com acesso à Internet usou a rede para acessar
serviços públicos eletrônicos, independentemente do serviço
utilizado – a mesma proporção registrada em 2007. Este
número exclui o serviço de Imposto de renda, que é utilizado
por 100% das empresas formais.
A questão da
propriedade intelectual
A FALTA DE UM CONSENSO
SOBRE O TEMA EXIGE
DISCUSSÕES SUBSTANTIVAS,
MAS LONGE DOS DEBATES
APAIXONADOS
ADRIANA MATTOS

A questão da propriedade intelectual na Internet está longe
de um consenso. Até agora não existe uma regra clara em
nenhum país conhecido. Como a prática de distribuir e
copiar arquivos no mundo digital acontece numa velocidade
bem superior à capacidade dos legisladores em encontrar uma
saída regulatória, o tema, por enquanto, é movido a paixões.
Os debates nesse campo costumam enfocar apenas dois lados: há
os que defendem o ponto de vista do produtor de conteúdo e os que defendem o ponto de vista do consumidor.
Mas a Internet e as novas
tecnologias criaram situações novas
que, dificilmente, poderão ser
tratadas da maneira tradicional.
E como o Brasil já é o 13º país do
mundo em número de sites, torna-se
cada vez mais importante que
a discussão seja feita de maneira
igualmente nova, e longe das tribunas
dos oradores mais inflamados.
Uma pesquisa realizada em
2006, pelo Ministério da Cultura
e pela Fundação Getúlio Vargas,
revelou que 87% dos países desenvolvidos
e 50% dos países em
desenvolvimento adotam alguma
medida de proteção a materiais
na Internet. Questionários foram
enviados e respondidos por 26
países sobre o tema: “Direitos autorais,
acesso à cultura e a novas
tecnologias: desafios em evolução
à diversidade cultural”. As respostas
mostram que os países em desenvolvimento
apresentam legislação
autoral mais restritiva, com
ausência de mecanismos legais
que facilitem o acesso da população
às obras intelectuais protegidas.
Diz o estudo: “Justamente os
países que precisam promover de
forma mais acentuada o acesso
a informação, cultura e conhecimento
em geral, para que possam
se equiparar aos países desenvolvidos,
são os que possuem
legislação mais restritiva”. Ainda
segundo o estudo, há grande dificuldade
para manter a proteção
em determinados casos, como,
por exemplo, as cópias para uso
público (bibliotecas), citações em estudo e trabalho, pesquisas científicas
e cópias para uso privado.
"É necessário criar uma regulação
civil. O julgamento dos delitos de Internet,
feito do ponto de vista criminal,
é um grande equívoco"
Ronaldo Lemos
De acordo com a interpretação
dos dados, parte dos países desenvolvidos
e algumas organizações
internacionais argumentam
que o fortalecimento dos direitos
de propriedade intelectual é uma
finalidade em si mesma. De um
lado, esse preceito automaticamente
levaria ao desenvolvimento
tecnológico, econômico e social.
Estão propondo, portanto, ampliar
os direitos de propriedade intelectual.
De outro, aparecem também
organizações internacionais, órgãos
públicos e grupos de peritos e
acadêmicos que, nos últimos anos,
apontam imperfeições, e afirmam que um eventual fortalecimento
do sistema de propriedade intelectual
pode ter efeito deletério
para o desenvolvimento. Os países
desenvolvidos possuem maior capacidade
tecnológica, construída
com regras mais brandas de propriedade
intelectual. “É necessário
criar uma regulação civil. O julgamento
dos delitos de Internet,
feito do ponto de vista criminal, é
um grande equívoco”, diz Ronaldo Lemos, diretor do Centro de tecnologia
e Sociedade da Fundação
Getulio Vargas e representante
do Creative Commons no Brasil,
o movimento internacional que
propõe uma nova visão sobre os
direitos autorais.
O CGI.br tem adotado uma postura
proativa nessa discussão. No
final de 2007, organizou no rio de
Janeiro o II Fórum de Governança
da Internet, no qual os direitos de
propriedade foram amplamente
debatidos, entre outros temas de
grande relevância para o desenvolvimento
da rede. O Fórum cobriu
uma pauta extensa no campo da
propriedade intelectual, abordando
temas de grande relevância,
como os limites entre a liberdade
de expressão e as regulamentações
previstas em lei. também se
discutiu a relação entre cidadania
e direitos comerciais na rede. De
acordo com observadores, os palestrantes
destacaram a importância
de haver um equilíbrio entre liberdade
de expressão e segurança
e proteção à produção intelectual;
e ainda concluíram que, diante da
realidade da Internet, o conceito
de propriedade intelectual deve
passar por mudanças.
A dianteira
brasileira
AINDA HÁ MUITO A SER FEITO NO
E-GOV NACIONAL, MAS O PAÍS JÁ LIDERA
RANKINGS INTERNACIONAIS E TEM
ESFORÇO RECONHECIDO PELA ONU
SERGIO TÚLIO CALDAS

O mais importante prêmio da
propaganda mundial, o Festival
de publicidade de Cannes,
que acontece na Riviera
Francesa desde 1953, presenciou um
fato inusitado em sua última edição,
em junho passado. Desta vez, uma das
estrelas do Cannes Lions 2009 não foi
exatamente um publicitário famoso ou
uma grande agência do ramo, mas um
norte-americano de 41 anos chamado
David Plouff e – que lotou a platéia
durante sua palestra. Plouff e é sócio da
AKp&D Message and Media, empresa
responsável pela campanha vitoriosa de
Barack Obama, nos Estados Unidos.
Sem pirotecnias, Obama ganhou a
corrida ao cargo mais poderoso do
mundo, fazendo uso maciço de canais
digitais, como blogs, twitter, Orkut,
Linkedin, Youtube, Facebook. Ao tomar
posse, o presidente registrava
mais de 1 bilhão de e-mails enviados
durante a campanha, 1 milhão
de celulares cadastrados
para receber mensagens do
novo governo e, só em redes
sociais, mais de 8 milhões de
seguidores. “Neste governo,
quero usar a Internet para
promover um processo inédito
de mudanças no país”,
anunciou em seu primeiro
discurso como chefe da Casa
Branca. Mais do que inaugurar
a era das campanhas políticas
digitais, Obama sinalizou sua disposição
pessoal em investir na construção
de um novo modelo de gestão
pública, balizado por um consistente
programa de governo eletrônico.

Portal do governo brasileiro,
em que é possível acessar dezenas
de serviços de governo
eletrônico. A página elenca os itens
mais procurados para facilitar a busca
Também conhecido por e-gov, o governo
eletrônico é um fenômeno resultante
do uso intensivo das tecnologias
da informação e da comunicação. “Em um mundo cada vez mais conectado,
o e-gov ganhou status de modelo
de competência e de governança”,
diz Florencia Ferrer, diretora-presidente
da FF & Consultoria/e-stratégia
pública, empresa dedicada a projetos
de governo eletrônico. Embora
o movimento se tenha formalizado
internacionalmente em 1999 – durante
o 1º Fórum Global sobre reinvenção
do Governo, em Washington,
com a participação de 45 países –, o
e-gov ainda se vê diante de importantes
barreiras a ser vencidas. Os
primeiros desafios concentram-se
especialmente em duas frentes: na
criação de uma infraestrutura ampla,
que permita a inserção da sociedade
no uso e posse de tecnologias
da informação e comunicação; e na
transformação da máquina burocrática
do Estado, capacitando-a a usufruir
as vantagens digitais.
Um dos maiores problemas, tanto
dos cidadãos como das empresas,
quando precisam se relacionar com
o governo, é a complexidade da máquina
pública. Um governo costuma
ter dezenas ou até centenas de departamentos
e agências diferentes – o
que dificulta encontrar serviços específicos. Essa premissa vale em parte
para o governo brasileiro. A administração
federal tem, hoje, à disposição
de qualquer cidadão com acesso
à Internet, algumas dezenas de serviços
de governo eletrônico. Desde o
caso de maior sucesso e envergadura
tecnológica, como o envio do Imposto
de renda, até a possibilidade de
acompanhar pedidos de revisão de
benefícios da previdência Social.
“Hoje, o maior desafio de qualquer
iniciativa de governo eletrônico é
generalizar o acesso à população”,
costuma repetir Rogério Santanna,
Secretário de Logística e tecnologia
da Informação do Ministério do planejamento
e integrante do Comitê
Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
Dentro do governo federal, Santanna
é hoje um dos maiores defensores
da expansão dos princípios de e-gov
em toda a esfera pública.
Mais do que um site
Para o gestor governamental, Ciro
Fernandes, um dos organizadores
do livro E-Desenvolvimento no Brasil
e no Mundo (Editora Yendis), “é
bom que se entenda que governo
eletrônico não significa manter um
site na Internet”. A mesma opinião
tem Roberto Meizi Agune, coordenador
do Grupo de Apoio técnico
à Inovação (Gati), da Secretaria de
Gestão pública do Estado de São Paulo. Agune defende que, muito
além de tornar os serviços públicos mais acessíveis à população,
o principal papel do e-gov é promover
a cidadania, orientando-se
para atender principalmente às
demandas da população, promovendo
o acesso e a consolidação
dos direitos de cada cidadão.
"Hoje, o maior desafio de qualquer
iniciativa de governo eletrônico é
generalizar o acesso à população"
Rogério Santanna
Não é à toa que o Canadá se destaca
como modelo internacional
de governo eletrônico. Seu portal
(www. canada.gc.ca) foi construído
– e é constantemente atualizado –
a partir de opiniões e necessidades
dos cidadãos. Desde sua criação,
em 1999, o Government Online
(GOL) tem ouvido os canadenses
por meio de pesquisas e monitoramentos,
detectando falhas e prioridades
em serviços e atendimentos.
Em um país onde cerca de 75% da
população é usuária ativa da Internet,
o e-gov vem servindo a mais da
metade desses usuários.

Rogério Santana:
o desafio é
generalizar o
acesso do e-gov
para a maioria da
população
Esse sucesso é apontado pelos
especialistas por uma simples razão:
o foco do governo eletrônico do
Canadá é atender exclusivamente
aos desejos do usuário. E não simplesmente
oferecer os serviços que
o governo “acredita que sejam úteis
à sociedade”. Até mesmo as páginas
do site não se organizam apenas de
acordo com os departamentos governamentais:
estão centradas nas
necessidades do cidadão.
Virgílio Almeida, professor do Departamento
de Ciência da Computação
da Universidade Federal de Minas
Gerais, destaca que, além de facilitar
o atendimento público – e a comunicação
direta com o governo –, o e-gov
tem o papel de promover a disseminação
das TICs e, assim, contribuir
para o desenvolvimento do país. Um
desafio e tanto para o Brasil, onde
61% da população não tem habilidade
para lidar com computadores,
conforme atesta a última pesquisa
TIC do CGI.br.
“Quando se fala em governo eletrônico,
muita coisa se tem prometido
mundo afora, mas ainda temos uma
trilha enorme para percorrer”, diz
Agune. De fato, um estudo chamado
Global E-Government, realizado
pelo professor norte-americano
Darrel M. West, da Brown University,
traz informações surpreendentes.
Visão global
O relatório de 2007, que se valeu
das análises de 1.782 sites em 198
países, constatou que 71% deles
não ofereciam um único serviço que
pudesse ser totalmente executado
on-line. Mais ainda, apenas 23% dos
sites contavam com recursos orientados
para pessoas com necessidades
especiais. E, para o terror dos
internautas, somente 29% possuíam
políticas de privacidade.
De acordo com o Global E-Government,
há uma grande variação
nos níveis de governo eletrônico
de país para país. No estudo, as 10
nações mais bem posicionadas são
Coréia do Sul, Cingapura, Taiwan,
Estados Unidos, Grã Bretanha, Canadá,
Portugal, Austrália, Turquia e
Alemanha. “tanto a trajetória como
a posição do Brasil podem ser consideradas
muito interessantes”, avalia
Agune. “Nosso país melhorou de
2006 para 2007, subindo do 38° para
o 13° lugar. É o primeiro índice da
América do Sul, ultrapassando o
Chile”, diz.
As Nações Unidas, em sua recente
pesquisa Benchmarking
E-government: A Global perspective,
inclui o Brasil no grupo de países com
“alta capacidade de e-government”, à
frente da Itália, Japão e Áustria.
O primeiro dessa lista são os Estados
Unidos. Neste estudo, a primeira
posição na América Latina é
da Argentina.
Esses índices, no entanto, avaliam
os governos eletrônicos em âmbito
federal; não contemplam os esforços
realizados nas esferas estaduais ou
locais. O país tem iniciativas formidáveis
em seus estados, que vêm eliminando
a presença física das pessoas
em departamentos públicos,
gerando economias de até 90% para
o governo e a sociedade civil.
Um bom exemplo do quanto pode
ser economizado por meio de serviços
do e-gov é o processamento eletrônico
do IPVA – o Imposto sobre a
Propriedade de Veículos Automotores.
Em São Paulo, o endereço www.
ipva.com.br levou o Estado a economizar
R$ 14,81 por processo (uma
redução de R$ 16,71 para R$ 1,90).
Para o dono do veículo, o corte de
custos é ainda maior. Antes da modernização,
para licenciar o carro
era preciso desembolsar cerca de
R$ 70 para um despachante realizar
o trabalho. Ou ir pessoalmente ao
Detran: nesse caso, calcula-se que
o custo ficava em torno de R$ 56,
considerando-se as horas de trabalho
perdidas em filas e deslocamento
até os postos de licenciamento.
Uma vez que o tributo pode agora
ser pago pela Internet, os custos
despencam. “Anualmente, a mudança
tem gerado uma economia de R$
785 milhões”, informa Ferrer.
Na prefeitura de Porto Alegre, os
fornecedores podem acessar pela
rede os créditos a receber e a programação
de pagamentos do poder
municipal. No Recife, qualquer contribuinte
pode requistar via web o
seu extrato de débitos do Imposto
sobre a Propriedade Predial e Territorial
Urbana (IPT U). Casos semelhantes
espalham-se por todo o País
e em outros poderes, como o Legislativo
e o Judiciário. A Ordem dos
Advogados do Brasil, por exemplo,
está desenvolvendo um grande programa
para oferecer certificação digital
a seus associados. “O Brasil tem
sido pioneiro em várias instâncias do
e-gov, como a votação eletrônica e a
entrega dos impostos de renda”, diz
o norte-americano William Tyler,
ex-diretor do Centro de Estudos de
Economia Internacional e Negócios
na Universidade da Flórida e professor
visitante do departamento
de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
(UERJ). “Avanços notáveis também
ocorreram nas compras eletrônicas
do setor público, na educação a distância
e nas atividades da legislatura
federal, em que os projetos de lei,
agora, podem ser acompanhados
on-line”, complementa.
Apesar desses avanços, o gestor
público Agune avalia que o Brasil
não pode perder de vista a grande
barreira de acesso às TICs, ainda a
ser superada. “A oferta precária da
banda larga certamente prejudica,
e muito, o desenvolvimento e o uso
efetivo dos meios eletrônicos para
levar melhores serviços à população”,
diz. “É fundamental que o
governo entenda a necessidade de
disponibilizar o acesso à banda larga
pública – o que vai, de fato, permitir
a efetiva implantação do e-gov
em todo o território nacional”. Pelo
menos nesse ponto a estrada está
sendo pavimentada.
Certificação digital
A facilidade e disponibilidade de recursos no ambiente
virtual têm feito com que as pessoas utilizem cada vez
mais os canais digitais, para enviar informações, trocar
documentos, fazer compras ou solicitar serviços. Mas
o que pode acontecer quando alguém negar ser de sua
autoria um documento transmitido por via eletrônica?
Mesmo que se recorra às melhores técnicas forenses
voltadas ao mundo dos computadores, provar a veracidade
do documento pode não ser fácil. “É nesse momento
que a certificação digital entra com sua força probante,
de forma inquestionável”, afirma Luiz Cláudio Caldas, engenheiro
eletrônico e advogado especializado em direito
das novas tecnologias.
O certificado digital é um documento eletrônico que
identifica uma pessoa física ou jurídica, e também servidores
web. Quando emitido por uma autoridade certificadora,
credenciada pela ICP-Brasil (sigla em português
para PKI, Public Key Infrastructure, ou Infraestrutura de
Chaves Públicas), o certificado pode ser usado como assinatura
digital, cuja validade é a mesma da assinatura de
próprio punho.
Dessa forma, os documentos que trafegam por meios
eletrônicos e possuem reconhecimento legal não precisam
mais ser convertidos em papel, assinados e ter firma
reconhecida em cartório. Diminuem-se drasticamente
os custos e se economiza bastante tempo entre deslocamentos
e trâmites burocráticos. A validade jurídica
desses documentos é assegurada por uma medida provisória,
a de número 2.200-2/2001. Hoje, diversos serviços
públicos exigem que as pessoas, físicas ou jurídicas,
disponham de um certificado digital para realizar suas
transações com segurança.
Panorama setorial da Internet
Nomes de Domínios no Brasil e
no Mundo – Fev/2010
SUMÁRIO
EXECUTIVO
O Brasil possui a 7ª
maior base de nomes
de domínios entre
todos os ccTLDs.
Em fev/2010
atingimos 1.985.037
registros sob o
domínio “.br”.
Total de Nomes de Domínios
| Total |
187 Milhões |
| Genéricos -gTLDs |
110,7 Milhões |
| Códigos de Países - ccTLDs |
76,3 Milhões |
Fonte: VeriSign(Dez/2009)
| Posição |
País |
ccTLD |
| 1 |
China |
.cn |
| 2 |
Alemanha |
.de |
| 3 |
Reino Unido |
.uk |
| 4 |
Países Baixos |
.nl |
| 5 |
Rússia |
.ru |
| 6 |
Argentina |
.ar |
| 7 |
Brasil |
.br |
| 8 |
Itália |
.it |
| 9 |
Polônia |
.pl |
Fonte: CETIC/Registro.br (Jan/2010)
Domínios Genéricos (gTLD)
| .com |
84.663.875 |
| .net |
12.720.837 |
| .org |
8.012.029 |
| .info |
5.645.224 |
| .biz |
2.019.298 |
Fonte: DomainTools(Jan/2010)
Categorias de domínios – Quantidade
| .br (Total .br) |
1.985.037 |
| .com.br |
1.787.913 |
| .org.br |
39.658 |
| .net.br |
63.971 |
| .gov.br |
1.096 |
Fonte: Registro.br (Fev/2010)
Informações sobre Nomes de Domínios no Brasil
e no Mundo
Responsáveis pela condução de todas as atividades relacionadas ao registro
e gestão dos nomes de domínios sob o código de país de primeiro nível [.br],
o CGI.br e NIC.br apresentam nesta primeira edição do Panorama Setorial
da Internet informações e indicadores relevantes para medir e acompanhar
a expansão da Internet no Brasil e no mundo.
Apresentação
Medir e acompanhar a expansão da Internet dentro e fora do País é uma
das muitas iniciativas do Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br. Esta
edição apresenta uma síntese das principais tendências, fatos, indicadores e
estatísticas sobre a expansão do número de registros de nomes de domínio,
com avaliações analíticas de dados relevantes sobre a Internet brasileira.
Utilizando-se de dados primários(1) do Registro.br e de dados secundários
provenientes de fontes externas(2) sobre número de registros de nomes
de domínio no Brasil, América Latina e outros países, esta edição traz
informações sobre a dinâmica do registro de nomes de domínios em países
selecionados e apresenta análises comparativas com indicadores econômicos
e sociais.
Segundo a VeriSign(3), o último trimestre de 2009 encerrou com um
total de mais de 187 milhões de nomes de domínios registrados em todos
os Top Level Domain Names –TLDs. Isto representa um crescimento
de 2,1% em relação ao trimestre anterior e de 8% em relação ao mesmo
período do ano anterior. Quando se considera apenas a base dos nomes
de domínios registrados nos códigos de países (Country Code Top Level
Domain – ccTLDs), o período encerrou com 76,3 milhões de domínios, o
que representa um aumento de 11% em relação ao ano anterior.
Notas:
AMÉRICA LATINA
E MUNDO
As 10 maiores
bases de nomes de
domínios na América
Latina representam
98% de todos os
domínios na região.
| Pos. |
País |
ccTLD |
Domínios |
| 1 |
Argentina |
.ar |
2.079.527 |
| 2 |
Brasil |
.br |
1.968.709 |
| 3 |
México |
.mx |
389.982 |
| 4 |
Chile |
.cl |
271.795 |
| 5 |
Venezuela |
.ve |
156.571 |
| 6 |
Honduras |
.hn |
46.707 |
| 7 |
Peru |
.pe |
41.199 |
| 8 |
Colômbia |
.co |
27.843 |
| 9 |
Uruguai |
.uy |
23.533 |
| 10 |
Equador |
.ec |
21.978 |
Fonte: LacTLD(Jan/2010)
Existem hoje mais
de 5,1 milhões de
nomes de domínio
registrados na
América Latina e
Caribe.
Dos 27 ccTLDs
existentes na
América Latina,
os cinco primeiros
representam 95% de
todos os domínios
registrados.
Registro de Nomes na América Latina
Em dezembro de 2009 existiam cerca de 5,1 milhões de domínios
registrados sob os 27 ccTLDs da região da América Latina e Caribe (ALC),
representando um crescimento de 12% em relação a setembro de 2009 e 17%
em relação ao ano anterior. As maiores taxas de crescimento anual foram
observadas nos ccTLDs do Brasil (.br), Argentina (.ar), Venezuela (.ve) e
México (.mx). Em relação à quantidade de nomes de domínio, a Argentina
e o Brasil representam 79% do total de nomes de domínios registrados na
região da América Latina e Caribe.
Registro de Nomes no Mundo
Os nomes de domínios são organizados sob aproximadamente 270
diferentes extensões de Top Level Domains (TLDs), que, por sua vez, são
subdivididos em domínios genéricos gTLDs (tais como .com, .org, .net,
etc.) e os domínios de países ccTLDs (tais como, .br, .de, .uk, .cl etc.). Os
códigos de domínios de países são definidos com base na recomendação
da ISO 3166 que se refere a códigos e nomes de países. Das 240 extensões
de ccTLDs, as 10 primeiras contribuem com 64% do total de nomes de
domínios registrados em todo o mundo: Alemanha, China, Reino Unido,
Países Baixos, União Européia, Rússia, Argentina, Brasil, Itália e Polônia.
No ultimo quadrimestre de 2009, aproximadamente 10 milhões de novos
nomes de domínio foram registrados em todos os TLDs, refletindo um
crescimento de 15% na taxa de novos registros em relação ao quadrimestre
anterior. Destaque especial deve ser dado para o número de registros sob
o ccTLD .ru, relativo à Rússia, que apresentou uma taxa de crescimento de
9% no último trimestre. A taxa de crescimento anual da China atingiu 27%
e a Alemanha e o Reino Unido cresceram a uma taxa anual de 6% e 12%,
respectivamente. Esses três países, tomados em conjunto, representam 46%
de toda a base de nomes registrados em todos ccTLDs.
DOMÍNIOS NO
BRASIL – ccTLD .br
As regiões Sul
e Sudeste são
responsáveis por 84%
dos domínios
registrados sob o “.br”.
| Regiões Brasileiras |
Domínios |
% |
| Norte |
38.446 |
2% |
| Nordeste |
148.673 |
8% |
| Centro-Oeste |
123.766 |
6% |
| Sudeste |
1.283.877 |
65% |
| Sul |
373.947 |
19% |
| Total |
1.968.709 |
100% |
| Região /Norte |
Domínios |
| Pará |
12.305 |
| Amazonas |
8.157 |
| Rondônia |
4.514 |
| Tocantins |
3.753 |
| Acre |
1.150 |
| Amapá |
1.029 |
| Roraima |
676 |
| Região Nordeste |
Domínios |
| Bahia |
51.773 |
| Pernambuco |
30.352 |
| Ceará |
27.786 |
| Paraíba |
10.617 |
| Rio Grande do Norte |
10.190 |
| Alagoas |
6.989 |
| Maranhão |
6.862 |
| Sergipe |
6.744 |
| Piauí |
4.222 |
| Região Centro-Oeste |
Domínios |
| Distrito Federal |
53.975 |
| Goiás |
36.823 |
| Mato Grosso |
17.064 |
| Mato Grosso do Sul |
15.904 |
Fonte: Registro.br (Janeiro/2010)
Registro de Nomes no Brasil
País com dimensões continentais, o Brasil pode ser dividido em regiões
homogêneas do ponto de vista social, econômico, político e cultural. O
crescimento do registro de nomes de domínio está relacionado a variáveis
regionais, tais como concentração econômica, de empresas, penetração das
TICs, entre outras. A distribuição regional do número de nomes de domínio
registrados no Brasil ainda é muito desigual, conforme pode ser observado
no gráfico abaixo, que relaciona o percentual da população e de empresas
por região do País. Do número total de nomes de domínios registrados
até dezembro de 2009, aproximadamente dois terços são de pessoas ou
entidades sediadas na região Sudeste. Em segundo lugar, a região Sul, com
aproximadamente 20% do número total de registros de nomes de domínio.
Juntas, essas duas regiões detêm cerca de 85% dos nomes de domínio
registrados sob o “.br”.
Seis estados concentram o maior número de registros de nomes de domínios,
tendo o Estado de São Paulo a liderança destacada. Dentre todos os estados
brasileiros, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e
Paraná juntos detêm, aproximadamente, 78% do número total de nomes de
domínios registrados.
DOMÍNIOS NO
BRASIL – ccTLD .br
32% dos domicílios
brasileiros possuem
computador, e apenas
24% possuem acesso à
Internet.
Os domínios com
extensão com.br
constituem 90% dos
nomes de domínio
registrados no País.
| TLDs |
% de registros |
| com.br |
0,9 |
| org.br |
0,02 |
| net.br |
0,03 |
| Demais TLDs |
0,05 |
Fonte: Registro.br (Janeiro/2010)
A posse do computador, o acesso à Internet e
o registro de nomes de domínio
Apesar da baixa penetração do computador e do acesso à Internet nos
domicílios brasileiros, 32% e 24%, respectivamente, a Internet brasileira
continua se expandindo. Iniciativas como o “nom.br” e “com.br” para
pessoas físicas poderão aumentar essa participação à medida que algumas
barreiras econômicas, que impedem um maior acesso da população à
Internet, forem superadas.
Seis estados concentram o maior número de registros de nomes de domínios,
tendo o Estado de São Paulo a liderança destacada. Dentre todos os estados
brasileiros, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e
Paraná juntos detêm, aproximadamente, 78% do número total de nomes de
domínios registrados.
PAINEL DE
CONTROLE
As taxas de
crescimento do
número de registros
de domínios no “.br” são positivas
e não apresentam
tendências de
diminuição.
O crescimento
do número de
registros apresenta
sazonalidade com
picos nos segundos
trimestres de cada
ano.
Dinâmica de crescimento do registro de nomes
de domínios no Brasil
O último trimestre de 2009 encerrou-se com um total de 1.950.460 domínios,
o que representa um crescimento de 5,5% em relação ao terceiro trimestre
de 2009 e 27,1%, em relação ao último trimestre de 2008.
A taxa de crescimento do número de registros de domínios mantém-se
positiva, com sazonalidade semestral, como pode ser observado no gráfco
abaixo. Verifcam-se, também, padrões de queda a partir do mês de julho e
um aumento a partir do início de cada ano.
No segundo trimestre de 2008, foi verifcada a maior taxa de crescimento
nos últimos três anos, um aumento de 7,9% em relação ao trimestre anterior,
um aumento a partir do início de cada ano.
TIRE SUAS DÚVIDAS
O que significa o IPv6?
IPv6 é abreviatura de Internet Protocol version 6 ou, em português, Protocolo
Internet versão 6.
Pode-se dizer que um protocolo consiste num conjunto de regras que
permitem a comunicação entre dispositivos. Grosso modo, protocolo é
uma “linguagem”. O Protocolo Internet, ou IP, foi criado para permitir a
comunicação entre diferentes redes de computadores e, hoje, em sua versão
4, é a base da Internet.
O IPv6 é o sucessor do IPv4. Ele foi desenvolvido ao longo da última década
com essa finalidade. Hoje ele é um protocolo maduro, com várias vantagens
em relação ao IPv4, e suportado pelos principais equipamentos e programas
de computador.
Sua implantação na Internet já está em andamento, e deve ser acelerada nos
próximos anos. O protocolo já deverá estar amplamente difundido até 2010
ou 2011, para quando se prevê o esgotamento dos endereços IPv4.
Prevê-se que ambos, IPv4 e IPv6, funcionem lado a lado na Internet por
muitos anos. Mas, a longo prazo, o IPv6 substituirá o IPv4.
Se comparado o endereço IP com o endereço de uma casa, com a adoção
do IPv6 será como se todas as casas ganhassem um número novo, mas
diferente do antigo. Por exemplo, que fosse, em vez de um número simples,
um código baseado em números e letras. Dessa forma, as casas teriam
ainda seu número antigo e o novo código: eles não se misturariam ou se
confundiriam, porque seriam diferentes. Ambos poderiam ser usados para
se chegar a um determinado destino. Quando todas as casas recebessem o
novo código, o antigo poderia, finalmente, ser deixado completamente de
lado, pois não teria mais utilidade.
Fonte: CEPTRO.br (outubro/2009)
E-mail marketing

Com o apoio do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o País ganhou o seu primeiro Código
de Autorregulamentação para a Prática de E-Mail Marketing (Capem). O objetivo é criar normas para
promover o bom uso dessa ferramenta de comunicação utilizada em campanhas publicitárias. Mitos e
Fatos desta edição aborda alguns dos dez pontos desse código.
(
http://www.emailmarketinglegal.com.br)
MITO
E-mails de caráter
comercial ou
publicitário podem
ser enviados
para qualquer
destinatário
Apenas pessoas que solicitaram (opt-in) ou que
tenham relação comercial ou social prévia e
comprovável com o destinatário (soft opt-in)
podem receber e-mails publicitários, segundo o
novo código.
FATO
Após autorizar o
recebimento dos
e-mails, as pessoas
podem pedir o
descadastramento
A partir do código, as mensagens de e-mail
marketing precisam trazer um link para opt-out
(pedido de saída da base) automático e uma
segunda alternativa, que não seja um link clicável.
MITO
Não é necessária
autorização
específica para
enviar e-mail
marketing com
anexo
O envio de anexos pode ser realizado,
desde que exista uma autorização prévia e
comprovável do destinatário.
MITO
É possível
comprar bases
de e-mails de
terceiros
o envio só pode ser feito para bases optin
ou soft opt-in. Porém, é permitido que
uma empresa realize uma ação para algum
parceiro comercial, enviando e-mails para sua
própria base de destinatários.
Simples e prático
REGISTRAR UM ENDEREÇO NO .BR É FÁCIL E PODE
TRAZER BONS DIVIDENDOS PARA O SEU DONO

Em pouco tempo, o Brasil
terá 2 milhões de endereços
registrados na Internet.
ter um domínio na
rede é tão importante quanto alugar
um bom ponto comercial ou definir um modelo de negócios. Sem
presença digital, o empreendimento
pode perder boas oportunidades
entre os 65 milhões de brasileiros
que acessam a rede em suas casas,
escolas, escritórios e
lanhouses.
A trajetória do registro.br, que é
ligado ao NIC.br, é um dos termômetros
mais adequados para medir
a temperatura da Internet no Brasil.
A curva de novos domínios é ascendente
desde 1º de janeiro de 1996,
quando a primeira operação desse
gênero foi realizada no país. “Na economia
do século XXI, sem sombra
de dúvida, empresa ou instituição
sem registro de nome de domínio é
mais ou menos como uma empresa
sem telefone no século passado,” diz
Frederico Neves, diretor de Serviços
e de tecnologia do NIC.br.
"Na economia do século XXI, sem
sombra de dúvida, empresa ou instituição
sem registro de nome de domínio é mais
ou menos como uma empresa sem telefone
no século passado"
Frederico Neves
Especialistas afirmam que a definição
do domínio deve levar em
conta dois aspectos: simplicidade
e o funcionamento das ferramentas
de busca. O primeiro deles é
exatamente o que o nome sugere.
Um bom domínio deve ser simples
na sua composição, de preferência
curto e de fácil memorização por
seus clientes. Já o segundo passa
pelo hábito de um número cada vez
maior de consumidores de utilizar
a Internet para buscar serviços
e produtos que desejam adquirir
ou usufruir. Diante disso, a escolha
do endereço virtual passa pela
necessidade de ganhar relevância diante das ferramentas de busca
para se posicionar nas primeiras
posições das páginas de resultados
e ser mais facilmente encontrado.
A primeira orientação para
ser bem-sucedido é utilizar em seu
domínio termos ligados ao setor
de atuação ou tipo de negócio. É
possível registrar um domínio em
sete categorias, como aquela reservada
a profissionais liberais ou
para pessoas físicas. Um domínio
com estas características pode ter
vantagem quando consumidores
fazem buscas genéricas sobre produtos
e serviços na rede. A segunda
é usar palavras-chave inerentes
ao negócio, o que melhorará o posicionamento
nos resultados. Definida
a estratégia para a escolha do
domínio, a parte prática é bastante
simples e barata.

Para registrar um domínio, basta
escolher um nome com no mínimo
dois e no máximo 26 caracteres e
registrá-lo no site do registro.br,
ao custo de R$ 30,00 anuais. Caso
duas pessoas queiram o mesmo domínio, fica com o endereço aquele
que o registrou primeiro. São comuns
casos de empresas que adquirem
posteriormente domínios
de terceiros, pagando por isso valores
cada vez mais elevados. tudo
para ter o melhor endereço da Internet
para seu negócio.
O futuro da Internet
no futuro da web
VAGNER DINIZ*
A Governança da Internet é a capacidade
de estabelecer modelos de
funcionamento da Internet, de forma
que todos os envolvidos (governo, indústria,
universidades e a sociedade
civil organizada) colaborem com o
modelo para o bom funcionamento e
o desenvolvimento da Internet.
porém, ao falar em governança da
Internet, muito ainda se limita a tratar
das questões referentes à infraestrutura
de rede, à gestão de nomes
de domínios, e à camada de aplicação
(protocolos). Isso é bastante
compreensível, uma vez que a infraestrutura
de rede é a camada que
possibilita a Internet, sem ela não
haveria as infovias de comunicação
com os computadores conversando
entre si de uma maneira simples e
eficiente.

A Figura 1 mostra como estão organizadas
as camadas da Internet,
segundo o Modelo de referência
OSI, desenvolvido pela ISO (International
Standards Organization).
“Quando um programa cliente de
e-mail quer baixar os e-mails que
estão armazenados no servidor de
e-mail, ele efetuará esse pedido para
a camada de aplicação do TCP/IP,
sendo atendido pelo protocolo SMTP.
Quando você digita um endereço www em seu navegador para visualizar
uma página web, ele se comunicará
com a camada de aplicação do
TCP/IP, sendo atendido pelo protocolo
HTTP (é por isso que as páginas da
Internet começam com http://).” [1]
Para a gestão da infraestrutura de
redes, o marco regulatório das telecomunicações
no Brasil, a Lei Geral de
telecomunicações [2], já definiu claramente
o modelo de funcionamento e os papéis dos atores envolvidos. E
para a gestão de domínios, também,
está clara a atribuição do Comitê
Gestor da Internet no Brasil, que a
exerce com extrema competência, reconhecida
internacionalmente.
No entanto, a governança da Internet
também se estende para as camadas
da web, camadas geralmente
esquecidas no debate internacional
sobre o futuro da Internet.
Há uma confusão entre nós, simples
e mortais usuários, que costumeiramente
queremos significar a
mesma coisa para “vou entrar na
Internet” ou “vou navegar na web”.
Essa confusão é plenamente aceitável,
porque a única coisa que está
acessível para o usuário comum na
experiência de acesso à rede mundial
de computadores é a página
web ou o gerenciador de correios
eletrônicos, além de alguns outros
poucos serviços. São as camadas da
Figura 2 que nos interessam, aquelas
que nos permitem a interação
com o conteúdo disponível na rede,
sem termos que nos preocupar com
gestão de domínios, protocolos, endereços
etc. É isso que torna ainda
mais rica a navegação na web.
Para essas camadas que estão no
topo da Internet, é necessário dedicar
atenção a seus aspectos de governança.
É nelas que se realiza e se
realizará plenamente o potencial
da convergência digital, na qual
o usuário poderá desfrutar os benefícios
de estar conectado em qualquer
lugar, a qualquer momento,
em qualquer dispositivo móvel. São
essas camadas que têm atraído a
atenção dos principais investidores
em compra e fusões. As principais
empresas mundiais de tecnologia
da informação vêm adquirindo empresas
inovadoras que atuam em
ferramentas de busca na Internet,
em redes sociais e conteúdos. Foram
dezenas de bilhões de dólares
gastos em um segmento extremamente
promissor.
O futuro da Internet está profundamente
conectado ao futuro da
web. Somente se delinearmos um
modelo de governança também para
a web, conseguiremos nos apropriar
dos benefícios da inovação não só
para atender aos interesses de mercado,
mas contribuir para o desenvolvimento
social e econômico dos
países e dos cidadãos.
Um pouco de história
A web, como a conhecemos hoje,
ao utilizar os navegadores, foi inventada
por Tim Berners-Lee, em 1989,
nos laboratórios do CERN, instituto
suíço de pesquisas nucleares. Até
então, a experiência de navegação
era simplesmente textual, sem nenhum
recurso de imagem, som ou
ligações (sim, houve um tempo da
Internet sem links!). A importância
da criação de Tim Berners-Lee foi
perceber que havia algo intrigante
nos projetos de sistemas complexos
desenvolvidos no CERN. A falta de
integração. Segundo Tim Berners-
Lee, ele criou a linguagem HTML,
o protocolo HTTP e o conceito de
URL, por causa de uma sensação de
frustração. tantos engenheiros de
todas as partes do mundo que trouxeram
seus computadores, sistemas
operacionais, dados e documentos
alegavam que era impossível construir
algo novo aproveitando um
pouco de um, um pouco de outro, porque as máquinas, os programas e os dados eram incompatíveis. “Em
todas essas máquinas havia documentos.
Então, e se imaginássemos
os documentos como parte de algo
maior, um sistema virtual de documentos
no espaço, então a vida seria
muito mais fácil.” [3]
Documentos apontavam para outros
documentos que apontavam
para mais outros documentos,
construindo assim uma nuvem, que
partindo de um documento se poderia
chegar a qualquer outro documento.
Foi essa idéia que ele trouxe
para a web, ao criar as URLs (Unique
Resource Locators), uma forma
de criar um endereço único para um
documento que permitiu que um documento
fosse apontado por outro
documento e que também poderia
apontar para outro.
Ainda assim, o que existe de fato
atualmente é uma web de documentos.
Não há uma página na
web que não tenha o endereço que
permita que ela seja localizada e
que, por sua vez, aponte para outras
páginas. E todas elas usam o
padrão de endereçamento criado
por Tim Berners-Lee.
A enorme popularização da Internet
ocorreu porque as tecnologias
que sustentam a web são extremamente
simples, funcionais e foram
compartilhadas pelos seus autores
livres de direitos autorais.
Além da URL, outra tecnologia
importante na base da web, também
criada por Berners-Lee, é a linguagem
HTML (Hypertext Markup
language). Com o HTML, foi possível
construir páginas web de uma
maneira simples, adicionando recursos
não só textuais, como também
audiovisuais. A linguagem HTML é
tão simples e eficiente que, até hoje,
20 anos após a sua criação, ela ainda
é o padrão de mercado, e continuará
sendo, devido à sua constante evolução,
liderada pelo W3C (World Wide
Web Consortium), que garante a sua
manutenção e crescimento respeitando
o legado existente.
A terceira tecnologia que garante
a vitalidade da web é o protocolo
HTTP (Hypertext Transfer Protocol).
Esse protocolo é a “grande”
língua esperanto dos computadores,
pois ele permite que quaisquer
computadores na Internet troquem
informações entre si, compreendendo
perfeitamente um ao outro, seguindo
regras básicas, o que permite
que uma página web seja buscada
onde ela esteja, não importando tipo
de máquina e sistema operacional
utilizados ou localização geográfica.
Essas tecnologias fazem a história
da web até hoje. por meio delas,
a evolução tecnológica da infraestrutura
de telecomunicações e
dos computadores realizou-se em
sua plenitude, trazendo uma experiência
de navegar na web muito
mais rica, interessante e útil para
o usuário. também foi em torno
do ecossistema dessas tecnologias
que outras linguagens e aplicações
surgiram para melhorar a qualidade
dos recursos audiovisuais, para
prover tecnologias assistivas para
os portadores de defi ciências físicas
e tornar possível a navegação
em dispositivo móvel.
O futuro da web, por sua vez, está
profundamente conectado à capacidade
de evolução das tecnologias
da camada de interface da Internet,
que possibilitem tirar o máximo
proveito da evolução contínua das
tecnologias que fazem a infraestrutura
da Internet.
O futuro da web
Certamente já lemos ou vimos algum
exercício de futurologia sobre
como será a nossa vida conectada.
pelo menos os Jetsons anteciparam
há muito tempo algumas novidades
que tornam a nossa vida mais fácil.
Mas alguns exemplos ajudam a visualizar
o futuro da web não muito
distante e perfeitamente aplicável.
Imagine você dirigindo seu carro e
recebendo no painel (digital, claro!)
uma mensagem de seu filho pedindo
para ligar assim que puder. Não
precisou se distrair nem cometer
infração de trânsito para atender
ao celular. Outra situação, você está
ao celular tentando marcar uma
reunião com o seu cliente e ele lhe
dá três opções. Você escolhe uma
e tenta registrar na agenda de seu
celular. Mas o próprio celular, que
consultou a sua agenda do escritório,
que está na web, avisa que você
já tem compromisso naquela data.
Então, você escolhe outra data disponível.
E o que você acha de ter
uma geladeira conectada à Internet
que dispara a compra do produto
que vai faltar, da sua marca preferida
e no seu supermercado preferido?
Você só tem de confirmar a
compra. Ou ainda, tem uma consulta
marcada no posto de saúde da
prefeitura, recebe uma confirmação por celular e no dia da consulta ainda
recebe a informação de qual o
melhor ônibus e o horário em que
ele vai passar, para você chegar a
tempo (não pode haver congestionamento
nesse dia).
Todos esses exemplos pressupõem que qualquer dispositivo pode estar
conectado à rede mundial da Internet.
Carro, geladeira, celular e quaisquer
outros dispositivos poderão ter
seus endereços na Internet, assim
como em qualquer página web. É
esse o princípio da “web das coisas”.
Open data e linked data
Mais uma vez, Tim Berners-Lee
desenvolveu um novo conceito: a
“Web of things” [4]. Cinco anos após
criar a base da web, ele visualizou
o que poderia ser o futuro da web.
Mais tarde, em 2001, um importante
artigo na Scientific American Magazine
acentuou as bases para a web
semântica [5].
Em sua brilhante conferência
apresentada no evento TED, em
2009, Tim Berners-Lee disse que gostaria
que nós colocássemos os nossos
dados na web. “O que você quer
dizer com dados? Qual a diferença –
documentos e dados? Documentos
você lê, certo? Tipo, você lê e pode
seguir links a partir deles. Pronto,
nada mais do que isto! Dados, você
pode fazer todos os tipos de coisa
com eles usando um computador.
Eu quero que paremos para pensar
em um mundo onde todos colocam
seus dados na web e tudo que você
possa imaginar esteja na web. A tecnologia
é Linked data (dados vinculados)”
[3].
Qualquer coisa que vá para a web
passará a ter também a sua identificação
URL, aquela coisa que começa
com http://, não apenas para documento,
agora, mas também para
coisas, pessoas, lugares, eventos etc.
Todos eles poderão ter o seu próprio
endereço na web e, o mais importante,
isso não só fará que qualquer “coisa”
possa conectar-se à grande rede
mundial de computadores, como
também permitirá estabelecer relações
inteligentes que efetivamente
agreguem informação: o celular é de
José, que tem uma agenda, que está
conectada à agenda no computador
do escritório, que tem um carro que
também está conectado à Internet.
Você dá significado para o que está
na web. Esse é o princípio da web
semântica.
Essa imensa possibilidade de
conectividade traz uma nova dimensão
para o aproveitamento das
informações na web. As organizações
coletam muitas informações
sobre seus relacionamentos, particularmente
os governos (cidadãos,
economia, saúde, educação, vias
públicas, segurança etc.). São tantas
informações coletadas, poucas são
efetivamente utilizadas e devolvidas
para a sociedade.
Grande parte das informações do
setor público ainda é publicada em
formatos proprietários ou de forma
incompatível com diversos tipos de
equipamento. Para o W3C, a publicação
dessas informações em formato
bruto, aberto, de maneira a
torná-las acessíveis a todos e permitir
sua reutilização, é a melhor forma
de garantir acessibilidade, mais
transparência e responsabilidade.
Acessibilidade porque os dados padronizados
e abertos permitem que
numerosas ferramentas de software
transformem dados XML ou RSS
em dados utilizáveis por equipamentos
com tecnologias assistivas.
Mais transparência porque os dados
abertos e livremente acessíveis podem
ser adaptados de maneira mais
adequada aos propósitos e conveniências
das partes interessadas.
E mais responsabilidade, porque
dados abertos, devidamente combinados
e reutilizados, podem oferecer
diferentes utilidades e pontos
de vista sobre eles próprios. Por essa
razão o conceito de Open Data melhor
se aplica a Governo.
O W3C contribui com o futuro da
Internet ao criar padrões e diretrizes
para a web. Desde 1994, o W3C publicou
mais de 110 desses padrões,
denominados Recomendações do
W3C. O W3C também se envolve
em educação e divulgação, desenvolve
softwares e atua como fórum
aberto para discussões sobre a web.
Para que a web atinja todo o seu
potencial, as suas tecnologias mais
fundamentais precisam ser compatíveis
entre si e permitir que todos
os equipamentos e softwares usados
para acessá-la funcionem juntos. O
W3C chama essa meta de “Interoperabilidade
da Web”. Ao publicar
padrões abertos (não exclusivos)
para línguas e protocolos da web, o
W3C procura evitar a fragmentação
do mercado e, consequentemente, a
fragmentação da web.
Para saber mais
* Vagner Diniz, gerente do W3C Escritório Brasil
Novas perspectivas
COMO UM DOS PAIS DA INTERNET,
VINT CERF QUER USAR SUA
REPUTAÇÃO E INFLUÊNCIA PARA
TRANSFORMAR A REDE NUMA
FERRAMENTA DE ENSINO EFETIVA
ANDRÉ SARTORELLI

Em 1975, quando Vinton Cerf, um dos criadores do protocolo Ip,
veio ao Brasil pela primeira vez, o Governo Federal estava ciente
de que as escolas públicas não poderiam deixar de ensinar aos
alunos a língua inglesa, a mais falada no mundo. Em sua visita
mais recente ao Brasil, quase 35 anos depois, Cerf deparou com um contexto
um pouco diferente. O inglês continua ainda como um desafio a ser
vencido, mas ao seu lado se coloca outra grande barreira: como os estudantes
brasileiros devem lidar com a tecnologia no dia-a-dia da sala de aula. O
cientista, hoje um dos vice-presidentes mundiais do Google, percebeu que,
desta vez, é a Internet que pauta discussões fundamentais para o presente
e o futuro da educação brasileira.
Não que o assunto seja novidade. Os esforços do Ministério da Educação
começaram mais claramente em 1997, quando se decidiu pela criação do
programa Nacional de Informática na Educação, o ProInfo, resultado da
parceria entre Governo Federal, estados e municípios. É verdade que, àquela época, a Internet ainda era incipiente,
mas as autoridades, de certa
forma, prepararam o terreno para a
sua rápida expansão, que se consolidou
como fonte de informação,
entretenimento e conhecimento.
A realidade das escolas mostra que
ainda há muitas barreiras a serem
superadas, devido à complexidade
do processo de aprendizado, que
envolve, de um lado, crianças, adolescentes,
pais e educadores, e do
outro, a permanente e rápida atualização
dos recursos tecnológicos.
No entanto, as iniciativas públicas e privadas já traçaram metas
significativas para que as escolas
brasileiras desfrutem a Internet da
melhor maneira possível.
Até o final de 2009 mais de 10 milhões
de alunos, de 26 mil escolas do
ensino básico, foram beneficiados
com a entrega de laboratórios de
informática para cada um dos colégios.
É o maior passo do ProInfo,
que estabeleceu como meta atender
a todas as escolas públicas urbanas
até o final do ano que vem. O
número de computadores portáteis
distribuídos é mais surpreendente:
150 mil, segundo metas do programa
Um Computador por Aluno
(UCA), do Ministério da Educação,
que planeja também um total de
56 mil colégios com banda larga
em todo o país até o final de 2010.
Para se ter uma idéia do alcance
da Internet, há em todo o mundo
mais de 1 bilhão de pessoas conectadas
e a participação dos usuários
só tem aumentado. Vint Cerf acredita
que a Internet na sala de aula
é fundamental para que os estudantes
aprendam de uma maneira
mais agradável. “O que não falta são
recursos para tornar o aprendizado
eficiente e a Internet é uma grande
aliada dos professores, porque possibilita
uma interatividade nunca
vista”, disse Vint em Minas Gerais,
onde esteve para dar uma palestra
e acompanhar a cerimônia que formalizou
a parceria entre o Governo
do Estado e o Google, que vai oferecer
aos 2,5 milhões de alunos, de
3.920 escolas da rede pública um
pacote de aplicativos, exclusivamente,
desenvolvidos para utilização
escolar.
Professores preparados

Sem professores conectados fica mais difícil a difusão da tecnologia nos processos
educacionais. os mestres precisam guiar seus alunos nesse novo mundo
para a maioria da
população
O acordo prevê suporte técnico
on-line para usuários, estudantes e
professores e integração das ferramentas
com outros sistemas.
A socialização da informação é
um dos grandes trunfos da tecnologia,
mas, para que isso aconteça
efetivamente nos processos educacionais,
é fundamental que professores
estejam preparados para
lidar com essa realidade incontestável.
Muitos alunos e educadores
podem até já dominar o uso básico
de um computador e aspectos simples
de uso da Internet, como troca
de e-mails e mecanismo de buscas,
porém apenas isso não garante resultados
satisfatórios.
Em Minas, a parceria com o Google
prevê que a Secretaria de Estado
de Educação será responsável por capacitar os usuários e coordenará
programas de treinamento, para que
professores e alunos aprendam a
utilizar as novas ferramentas no ambiente
educacional. “Estamos indo
além do uso convencional da rede
nas administrações públicas, saindo
de uma postura passiva de quem se
conforma apenas em oferecer informações,
prestar contas, indicar serviços
e divulgar resultados. Estamos
tratando a Internet com o espírito
da Internet”, falou o governador Aécio
Neves, em seu pronunciamento
oficial de anúncio da parceria.
No âmbito federal, o Ministério da
Educação criou o portal do professor
(
http://portaldoprofessor. mec.gov.br),
um site que permite a produção de
aulas em equipe, sugestões de aulas
e blogs, fórum, cursos e bate-papo.
Afinal, por que não usar o Google Earth como complemento numa
aula de Geografia, um podcast no
ensino de Literatura, planilhas eletrônicas
para Matemática, blogs
para Língua portuguesa, pesquisa
de documentos antigos para História?
Há quase uma infinidade de
recursos que professores e alunos
podem desfrutar na construção do
aprendizado. Alguns podem resistir
a essa nova forma de construção de
conhecimento, na qual a Internet
exerce uma influência decisiva.
Veja como anda a corrida
pela educação digital para os
alunos da rede pública de
ensino pelo mundo:
ANGOLA
Um grupo de 100 alunos da
província do Zaire recebeu
computadores portáteis para testar
o uso da rede na sala de aula. Até
dezembro 3 mil estudantes farão
parte do projeto que, em 2010, será
estendido a outras localidades.
ESPANHA
O primeiro-ministro José Luis
Rodriguez Zapatero anunciou
o projeto Escola Virtual, que
distribuirá a partir do ano que vem,
420 mil computadores portáteis
com acesso à Internet sem fio, para
todos os alunos.
PORTUGAL
No próximo ano letivo entrará
no ar a TV Pais. Trata-se de um
canal televisivo na Internet com o
intuito de ajudar os pais, para que
assistam junto com seus filhos à
programação e acompanhem melhor
o processo educativo das crianças.
A responsabilidade do conteúdo
será da Confederação nacional das
Associações de Pais (Confap).
AUSTRÁLIA
Por já estar um passo à frente em
relação a muitas nações no uso
da tecnologia em sala de aula, o
país promove agora nas escolas
campanha para explicar sobre a
importância da segurança na rede e
dos direitos autorais.
Três etapas
No início da utilização da tecnologia
em sala de aula, os professores
precisam investigar o potencial dos
recursos digitais e começar a prática
de atividades on-line a partir
do momento que compreendem
as ferramentas, evitando constrangimentos
e insegurança por
parte dos alunos. Nessa primeira
fase, vale a pena consultar outros
profissionais e colégios que usam
a Internet com sucesso. Doses de
dinamismo e entusiasmo auxiliam
no início de novas maneiras
de ensinar e aprender, pois evitam
aquela resistência comum em todos
os lugares em que o modelo
vigente de educação sofre alterações.
A rede é hoje, sem dúvida, o
maior motor de informação e dados
à disposição da humanidade, e
a tarefa dos educadores é entender
esse fenômeno e transformá-lo em
conhecimento.
A segunda fase é caracterizada
pela colaboração. Nada melhor do
que a apresentação de trabalhos
entre classes e escolas e a interação
entre educadores, mesmo que
ensinem conteúdos totalmente diferentes,
para que os erros iniciais
sejam corrigidos e cada um possa
agregar conhecimentos obtidos
pelos outros.
Futuro
Depois que tudo estiver funcionando,
conforme o planejamento,
é essencial que todos sejam ouvidos,
por meio de pesquisas, questionários
ou um simples debate
para o esclarecimento das dúvidas,
para que apareçam sugestões
de projetos futuros. Como 80% da
população brasileira possuem telefone
celular, Vint Cerf acredita que
é na plataforma móvel que devem
concentrar-se os próximos esforços.
“A missão seguinte é entender
e trabalhar para que a Internet seja
muito mais que um complemento
em sala de aula. Ela possibilita
perspectivas infindáveis sobre a
maneira de ensinar e aprender”,
conclui o “pai da Internet”.
PROGRAMA QUE DISTRIBUI LAPTOPS EXISTE DESDE 2005

Surgido em 2005, com ampla divulgação, pelo Presidente Luiz Inácio Lula
da silva, o programa “Um Computador por Aluno” (UCA), do Ministério da
Educação, é baseado no projeto norte-americano one Laptop per Child,
criado pelo professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT),
Nicholas Negroponte, com a ajuda do pesquisador David Cavallo, que hoje é
representante oficial do projeto. Nicholas propôs ao mundo, ainda em 2005,
que os países não poupassem esforços para a produção de laptops a 100 dólares
para serem distribuídos entre estudantes. o governo Federal garante
que em 2010 o programa estará funcionando a todo vapor. Já foram comprados
150 mil em dezembro do ano passado e a meta é chegar a 1 milhão de laptops

distribuídos em 2010. A OLPC contabiliza que sua participação nos projetos
locais dos mais de 25 países em que atua já rendeu mais de 1 milhão de
computadores. Fazem parte da lista nações da África, Américas, Ásia, Europa
e oceania. Além do site oficial em inglês (
http://laptop.org/en/), o projeto
conta com uma rede wiki que pode ser acessada inclusive em português
(
http://wiki.laptop.org/go/o_Wiki_da_oLPC) e uma interessante página no
Google Maps (
http://tinyurl.com/lma26h) que mostra como anda o projeto
em cada país participante.
PELO MUNDO
TENDÊNCIA
Audiência
estrangeira
A consultoria comScore
identificou uma tendência
interessante entre os sites
brasileiros: a audiência estrangeira.
o portal Universo online, por
exemplo, que em setembro
passado atingiu 27,3 milhões de
visitantes únicos, teve 24,5% de
acessos do exterior. no caso
do serviço de comparação de
preços Buscapé, a participação
estrangeira chegou a 38,4% dos
acessos.
SISTEMA
Skype no Linux

Quem utiliza o sistema operacional
Linux e já descobriu todas as suas
vantagens, agora, terá a opção de
fazer ligações utilizando o programa
skype. A empresa dona do software
anunciou que em breve lançará
uma versão para os usuários do
Linux. A idéia é permitir um nível de
customização do skype que poderá
adaptar-se às várias versões
existentes do sistema operacional.
A versão beta do skype Linux já
pode ser baixada no endereço
http://tinyurl.com/yzxbcz9.
NÚMEROS
Rede de extremos

Do 1,6 bilhão de pessoas que estão conectadas
à Internet no mundo, a Ásia, sozinha, reúne 704
milhões. A China concentra 338 milhões, seguida
do Japão, com 94 milhões de usuários. no outro
extremo está a África, onde a Internet chega a
pouco menos de 66 milhões de pessoas. Egito
e Nigéria lideram com, respectivamente, 12,6
milhões e 11 milhões de usuários.
APPLE
O nome da década

o presidente da Apple, Steve Jobs, foi eleito o executivo da década pela
revista americana Fortune. Após recuperar o prestígio da sua companhia
na área de computação pessoal, ele criou novos paradigmas no mundo do
entretenimento, ao lançar o iPod e na telefonia, com o iPhone.
sua nova aposta é o iPad, que deve causar grande impacto no mercado
editorial. A questão aqui é saber se Jobs conseguirá repetir o sucesso
diante de gigantes como a Amazon.com e a livraria Barnes & Noble.
“Tínhamos de criar algo melhor que um netbook”, afirmou Jobs.
"Minha intenção era
desenvolver algo
que fosse além de
um netbook"
Steve Jobs,
sobre o novo produto
da Apple, o iPad
MERCADO
Firefox lidera

O Firefox já é dono de quase
50% do mercado de navegadores
de Internet no mundo. o último
dado publicado pela consultoria
W3schools revelou que o
software tem uma participação
de 46,3%, contra 36,2% das
três versões anteriores
do Explorer da Microsoft.
Em janeiro de 2006, o Firefox
detinha apenas 16,6%. outros
navegadores, como o Chrome
do Google (10,8%) e o Safari da
Apple (3,7%), ainda estão longe
de participar dessa briga entre o
Firefox e o Explorer.
A real inclusão
PESQUISA TIC 2008
DO CGI.BR APONTA
O PODER DE
DEMOCRATIZAÇÃO
DO ACESSO À REDE
NAS MILHARES
DE
lanhouses
ESPALHADAS
PELO BRASIL
SÉRGIO TÚLIO CALDAS

Apinhada de pequenos comércios informais, a viela sinuosa que
leva até a lanchonete McFavela – habitual ponto de encontro
dos jovens de Heliópolis, na cidade de São Paulo – é também
caminho para a “lanhouse da dona Dica”, outra atração da
maior favela da capital paulista. No interior da loja de Raimunda Carvalho,
a dona Dica, onde internautas se apertam no mesmo espaço ocupado
por um salão de beleza, conseguir vaga em um dos seis computadores
exige paciência. Afinal, não são poucas as pessoas da comunidade de 120
mil habitantes que se enfileiram diante das máquinas para encarar um
videogame, trocar e-mails, fazer pesquisas escolares ou acessar o MSN.
A cerca de 4 mil quilômetros dali, em plena Floresta Amazônica, outra
modesta lanhouse tornou-se referência na pacata Manaquiri, cidade com 19 mil moradores, a cinco horas
de barco pelo rio Solimões desde
Manaus. Na Manaquiri.com, os 10
computadores estão sempre ocupados:
também servem aos jogos
eletrônicos, mas funcionam como
valiosa ferramenta de comunicação
e de informação em uma região
isolada pela geografia.
“Cada vez mais, os centros públicos
de acesso pago – as chamadas
lanhouses – posicionam-se como
o principal meio de inclusão digital
no Brasil”, diz Mário Brandão,
presidente da Associação Brasileira
de Centros de Inclusão Digital
(Abcid). “Esses locais substituem
o poder público e já são os grandes
responsáveis pelo acesso à Internet
no nosso país”, afirma.
A declaração de Brandão tem
fundamentos consistentes. Está
apoiada nas sondagens da quarta
edição da pesquisa sobre o Uso
das tecnologias da Informação e da
Comunicação no Brasil – TIC Domicílios
e TIC Empresas 2008 –, divulgada
pelo Comitê Gestor da Internet
no Brasil (CGI.br). realizada
de setembro a novembro de 2008, a
pesquisa foi coordenada pelo Centro
de Estudos sobre as tecnologias
da Informação e da Comunicação
no Brasil (Cetic.br) e traz uma importante
inovação, comparada aos
anos anteriores. Desta vez, o estudo
avançou além das fronteiras dos
centros urbanos para cobrir também
a zona rural brasileira.
De acordo com Juliano Cappi,
analista de informação do Cetic, “o
conhecimento mais apurado sobre
o uso e a posse das TICs nas áreas
rurais permitirá a criação de políticas
públicas que atendam, de fato,
às necessidades do Brasil no tocante
à inclusão digital”. De ponta
a ponta do território nacional, os
pesquisadores visitaram 21.520 domicílios
nas zonas urbanas e rurais,
onde entrevistaram pessoas a partir
dos 10 anos de idade. Além disso,
fizeram um levantamento sobre
as TICs em 3,5 mil empresas com 10
ou mais funcionários e distribuídas
por todo o país.
Zona urbana e rural
“No relatório TIC Domicílios, no
que diz respeito à posse e ao uso
das tecnologias de informação e de
comunicação, chama a atenção a
profunda diferença entre as áreas
urbana e rural”, analisa Alexandre
Barbosa, gerente do Cetic.br. Segundo
ele, as disparidades identificadas nessas regiões pela pesquisa são, de
certa forma, positivas: servem para apontar os desafios que o país precisa
vencer para garantir aos brasileiros
o amplo acesso às TICs.
Conforme o estudo (sem considerar
os aparelhos de televisão e
de rádio, tecnologias presentes em
praticamente todos os lares brasileiros),
o percentual de domicílios
com equipamentos TIC em áreas
urbanas é notadamente superior ao
das zonas rurais.
Tome-se como exemplo o telefone
celular, considerado um dos principais
indicadores de inclusão do
brasileiro no uso das TICs. Enquanto
o aparelho já é presente em 76%
dos domicílios urbanos, na área rural
esse índice não ultrapassa 52%.
Quanto à telefonia fixa, o sistema é
encontrado em 40% das casas urbanas,
enquanto nos lares rurais esse
número cai para 15%.
A rede no Brasil
No tocante às
lanhouses, conforme
aumenta a faixa
etária, diminui a
proporção de pessoas
que acessaram a
Internet nesse local.
Enquanto 64%
dos respondentes
entre 10 e 15 anos
declararam ter ido
a um centro público
de acesso pago
para acessar a web,
somente 14% dos
entrevistados que têm
entre 45 e 59 anos o
fizeram
Dados retirados da Pesquisa sobre o
Uso das Tecnologias da Informação e
da Comunicação no Brasil
Outro destaque da pesquisa, conforme
seus analistas, é o levantamento
do número de usuários de
Internet no país, que hoje soma
54 milhões de pessoas. Essa informação,
porém, ao ser avaliada sob
a luz de outros dados do estudo,
permite identificar de que forma a
rede mundial é acessada no Brasil.
“O que me surpreende não é exatamente
o aumento da quantidade
de internautas”, diz Eduardo Diniz,
professor de tecnologia de Informação
da Fundação Getúlio Vargas.
“Esse crescimento está relacionado
ao comportamento das
lanhouses,
que, mesmo sem incentivo por parte
do governo, estão contribuindo
de forma efetiva para a inclusão digital
do brasileiro”, explica.
De fato, uma análise do histórico
da pesquisa (iniciada em 2005) mostra
que as
lanhouses se vêm destacando
como local de acesso à rede
mundial de computadores. Nos três
últimos anos, representaram um
crescimento de cerca de 70% em navegações
pela rede. Em 2008, a proporção
de usuários que utilizaram
a Internet a partir de
lanhouses em
áreas rurais chegou a significativos 58% – representando 11% acima
desse mesmo indicador em zonas
urbanas (47%). Destaca-se, ainda,
que na zona rural o uso da Internet
em domicílios é baixo: apenas 26%
das pessoas que haviam navegado
pela rede nos três meses anteriores
à pesquisa tinham-na acessado em
casa. Na zona urbana, esse índice
atinge 43%.
para Rodrigo Baggio, diretor executivo
do Comitê para Democratização
da Informática (CDI), “o fenômeno do
uso das
lanhouses está diretamente
ligado à falta de disponibilidade da
banda larga”. Embora esses centros
também cresçam nas áreas nobres
das grandes cidades, Baggio destaca
que eles servem especialmente às
regiões mais pobres – carentes dos
benefícios da banda larga.
A investigação revela, ainda, que
há outra séria barreira para o uso
da Internet, tanto na cidade quanto
no campo: os custos elevados para
a posse de um computador e para a
conexão à Internet nos domicílios.
Entre os entrevistados, 75% apontaram
o custo do equipamento como
principal impeditivo de acesso à
rede, enquanto 54% destacaram os
valores altos cobrados para se conectar
à Internet.
No entanto, para Alexandre Barbosa,
do Cetic.br, a barreira mais
preocupante é a “falta de habilidade”
com a tecnologia, detectada
pelo estudo e apontada por 61% dos
entrevistados. E é essa a mesma justificativa
apresentada por 29% dos
entrevistados que nunca usaram
computador em casa. Esses números
revelam que, apesar dos programas
de alfabetização adotados no
País, a formação ainda precária de
boa parte dos brasileiros permanece
como um fator relevante de exclusão
digital.
Capacitação
“O Brasil é o maior usuário da Internet
na América Latina, mas seus
programas de capacitação digital
ainda são tímidos para um País de
dimensões continentais”, diz Barbosa.
O gerente do Cetic.br lembra que
o Chile deu um passo largo no combate
à exclusão digital. O governo
de Michelle Bachelet não só levou a
banda larga a todas as escolas públicas,
como também deu treinamento
de mais de 100 horas a cada um dos
professores da rede escolar.
No Brasil, em abril de 2008, o presidente
Lula lançou o Programa
Banda Larga nas Escolas, que pretende
motivar o processo de aprendizagem
e transformar o quadro de
acesso às TICs. O programa prevê
que todos os alunos das escolas
públicas de ensino fundamental e
médio, em áreas urbanas das cinco
regiões do País, tenham acesso
à banda larga até o final de 2010.
Quando estiver plenamente implantado,
o serviço vai beneficiar
mais de 37 milhões de estudantes.
Profissionalização
Embora o uso de computadores
no ensino público venha aumentando
a cada ano, sabe-se que a
inclusão digital nas escolas da rede
ainda não é uma realidade. E que
para o programa alcançar êxito será
necessário capacitar os professores,
tornando-os aptos a integrar sua
aula ao uso dos computadores.
“Para formarmos um país competitivo
é preciso fortalecer a educação
com o uso das TICs nas escolas
e, ao mesmo tempo, incluir
as
lanhouses na política pública de
inclusão digital – uma vez que elas
exercem papel de grande importância
nessa área”, diz o presidente da
Abcid. Brandão lembra que na Índia,
onde a proliferação de
lanhouses
pelos subúrbios assemelha-se
à do Brasil, programas de apoio
do governo indiano possibilitaram
a muitos desses estabelecimentos
se tornarem centros de educação
a distância, de telemarketing e de
formação profissional.
“Hoje, temos cerca de 100 mil
donos de
lanhouses no Brasil, que,
diariamente, abrem as portas para
quase 30 milhões de usuários”, diz
ele. “Se dermos a atenção devida a
essas pessoas, com treinamento e
profissionalização da atividade, as
lanhouses poderão transformar-se
em importantes pólos de acesso
à riqueza que a Internet oferece”.
Esse pode ser um caminho.
- O conteúdo completo da Pesquisa sobre o Uso das
Tecnologias da Informação e da Comunicação no
Brasil – TIC Domicílios e TIC Empresas 2008 está
disponível no endereço: http://www.cetic.br
Agenda
Março a Junho
15 ANOS DO CGI.BR
31 de maio
GOVERNANÇA DA INTERNET
FÓRUM DE GOVERNANÇA DA INTERNET
(IGF) - CONSULTAS
10 - 12 de maio
Genebra, Suíça
http://www.intgovforum.org/
ICANN NAIROBI
7 - 12 de março
Nairóbi, Quênia
http://nbo.icann.org/
ICANN BRUSSELS
20 - 25 de junho
Bruxelas, Bélgica
REGISTROS REGIONAIS DA INTERNET (RIRS)
LACNIC XIII
17 - 21 de maio
Curaçao, Antilhas Holandesas
http://www.lacnic.net/
TENDÊNCIAS NA WEB
WWW2010
26 - 30 de abril
Raleigh, Carolina do Norte, EUA
http://www2010.org/www/
ENGENHARIA DE REDES
IETF 77
21 - 26 de março
Anaheim, Califórnia, EUA
http://www.ietf.org/meeting/77/index.html
SEGURANÇA DE REDES
CECOS IV
11 - 13 de maio
São Paulo, SP
http://www.antiphishing.org/events/2010_opSummit.html
GTER 29/ GTS 15
14 e 15 de maio
São Paulo, SP
http://gter.nic.br/
http://gts.nic.br/
O decálogo do CGI.br
Uma das atribuições do Comitê Gestor da Internet
no Brasil (CGI.br) é estabelecer diretrizes estratégicas
relacionadas ao uso e desenvolvimento da Internet
no país. também faz parte da missão do Comitê
estruturar as diretrizes para a organização das relações
entre o Governo e a sociedade no interesse do desenvolvimento
da rede dentro do território nacional, e a busca
pela representatividade de sua composição multissetorial.
Foi por isso que o CGI.br recebeu, com bastante
otimismo, o início do debate público sobre o Marco regulatório
Civil da Internet no Brasil, sob a liderança do
Ministério da Justiça.
Os brasileiros puderam participar da consulta pública
que, durante 45 dias, esteve aberta a propostas para essa
nova fase da Internet nacional. Esse debate resultará num
projeto de Lei que será votado pelo Congresso Nacional.
“temos de trabalhar para que esta ação receba o máximo
possível de contribuições”, afirma o Secretário de Logística
e tecnologia da Informação do Ministério do planejamento
e conselheiro do CGI.br, Rogério Santanna. “As
questões relativas à Internet brasileira também são afetadas
pelas políticas estabelecidas em âmbito global. Daí
a importância de estabelecer acordos internacionais que
tratem da governança na Internet.” Em março de 2009, o
CGI.br publicou a resolução 2009/003, “princípios para a
Governança e Uso da Internet no Brasil”. Essa visão está
reunida em dez princípios, que servem para nortear a Internet
no Brasil.
1. LIBERDADE, PRIVACIDADE E DIREITOS HUMANOS
O uso da Internet deve guiar-se pelos princípios de
liberdade de expressão, de privacidade do indivíduo
e de respeito aos direitos humanos, reconhecendo-os
como fundamentais para a preservação de uma
sociedade justa e democrática.
2. GOVERNANÇA DEMOCRÁTICA E COLABORATIVA
A governança da Internet deve ser exercida de
forma transparente, multilateral e democrática, com
a participação dos vários setores da sociedade,
preservando e estimulando o seu caráter de criação
coletiva.
3. UNIVERSALIDADE
O acesso à Internet deve ser universal para que ela
seja um meio para o desenvolvimento social e humano,
contribuindo para a construção de uma sociedade
inclusiva e não discriminatória em benefício de todos.
4. DIVERSIDADE
A diversidade cultural deve ser respeitada e preservada
e sua expressão deve ser estimulada, sem a imposição
de crenças, costumes ou valores.
5. INOVAÇÃO
A governança da Internet deve promover a contínua
evolução e ampla difusão de novas tecnologias e
modelos de uso e acesso.
6. NEUTRALIDADE DA REDE
Filtragem ou privilégios de tráfego devem respeitar
apenas critérios técnicos e éticos, não sendo
admissíveis motivos políticos, comerciais, religiosos,
culturais, ou qualquer outra forma de discriminação
ou favorecimento.
7. INIMPUTABILIDADE DA REDE
O combate a ilícitos na rede deve atingir os
responsáveis finais e não os meios de acesso e
transporte, sempre preservando os princípios
maiores de defesa da liberdade, da privacidade e do
respeito aos direitos humanos.
8. FUNCIONALIDADE, SEGURANÇA E ESTABILIDADE
A estabilidade, a segurança e a funcionalidade globais
da rede devem ser preservadas de forma ativa,
através de medidas técnicas compatíveis com os
padrões internacionais e estímulo ao uso das boas
práticas.
9. PADRONIZAÇÃO E INTEROPERABILIDADE
A Internet deve basear-se em padrões abertos que
permitam a interoperabilidade e a participação de
todos em seu desenvolvimento.
10. AMBIENTE LEGAL E REGULATÓRIO
O ambiente legal e regulatório deve preservar a
dinâmica da Internet como espaço de colaboração.
LIVROS
Web 2.0: guia de
Estratégia
Amy Shuen
Foi Tim O’reilly que pela primeira vez
cunhou a expressão web 2.0, para designar
um conjunto de serviços na Internet que
promoviam interação entre seus usuários.
o fato aconteceu em 2006 e desde então O
’reilly ganhou fama no mundo digital.
sua empresa também fez bons negócios
na áreas editorial e de conferência. O livro
Web 2.0: Guia de Estratégia traz uma visão
bem interessante de como instituições
e empresas podem guiar sua entrada no
mundo das redes sociais.
A publicação é mais do que um catálogo de
boas idéias. Traz conceitos e aplicações que
podem ser de grande utilidade para quem
enfrenta o dia a dia digital.
o livro está disponível na Amazon.com
Marcos regulatórios
no Brasil. É Tempo de
rever regras?
Lucia Helena Salgado
Eduardo Fiuza (org.)
no momento em que se discute a criação de
um Marco Civil para a Internet, a busca por
debates correlatos faz-se necessária. o livro
Marcos Regulatórios no Brasil. É Tempo de Rever
Regras?, organizado por Lucia Helena salgado e
Eduardo Fiuza e editado pelo Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), ajuda a entender melhor
essa questão. Como os organizadores observam na
apresentação da obra, a discussão não é mais sobre
a necessidade ideológica de regular mercados, mas
como a sociedade pode estabelecer parâmetros
confiáveis e efetivos de acompanhamento para
determinadas áreas da atividade econômica. Como
espaço democrático e de amplo debate de idéias, a
Internet não pode ficar à margem dessa discussão.
o livro reúne os debates da Jornada de regulação
organizada pelo IPEA em 2008.
são 280 páginas e o download
pode ser feito no endereço
http://tinyurl.com/ylloeh7
Personagem
O pai do mouse

Em 1965, o americano Douglas Engelbart criou
um pequeno dispositivo para ajudar o trabalho
de operadores de computadores. Assim nasceu
o mouse. A primeira versão era de madeira,
tinha apenas um botão e se movia sobre
pequenas rodas. Antes, qualquer comando exigia
um bom conhecimento de atalhos de teclado.
Muitos ajudam a
construir a Internet
no Brasil
Ninguém chega tão
longe quanto os
provedores de acesso
Pela primeira vez em 15 anos de Internet comercial no Brasil, as associações de provedores, em conjunto com o Comitê Gestor da Internet no Brasil estão formando o
Cadastro Nacional de Provedores.
Este cadastro permitirá que o setor tenha um retrato mais preciso das características do mercado, tipos de serviços e de tecnologias utilizadas, velocidades de acesso, cobertura e disponibilidad geográgica.
Provedores associados, participem:
http://www.cetic.br/
pesquisa-provedores/
Caso não seja associado a nenhuma entidade do setor, contate-nos:
infocetic@nic.br