
A Internet é um fenômeno que revolucionou nosso mundo.
A comunicação entre pessoas e instituições se tornou instantânea,
universal e livre. Seu uso está se alastrando entre todos
os povos, em todos os recantos de nosso planeta, influenciando
quase todos os setores da sociedade. Ela se tornou imprescindível
na produção e divulgação das culturas regionais, para
o comércio globalizado e para vários serviços de utilidade para
o cidadão e para a sociedade em geral. O acesso à rede aliado
à capacitação em seu uso efetivo, um processo denominado
inclusão digital, é hoje uma condição necessária para trazer
o indivíduo para a nova sociedade do conhecimento, que se
desenvolve com base na convergência de tecnologias e serviços
digitais e nos protocolos de comunicação da Internet. A
construção dessa sociedade conectada tem que ser uma tarefa
assumida por todos. O progresso para a consecução dessa
meta é medido pelo número de indivíduos que a cada dia se
tornam usuários da rede. No Brasil já somos quase 45 milhões
de internautas, com uma taxa de crescimento de mais de 20%
ao ano, em média, e com diversas iniciativas de instituições,
civis e dos vários poderes do Estado, para capacitação e para a
oferta de novos serviços e conteúdos.
Sucessora da Arpanet, criada em 1969, a Internet surgiu
com a introdução de um inovador procedimento de comunicação
(o protocolo IP) que a tornou robusta a interrupções,
passando a ser dirigida pela comunidade acadêmica dos EUA
e, posteriormente, internacional. Com o surgimento da Web
(o WWW – World Wide Web) no início da década de 90,
com programas amigáveis de navegação, de trocas de mensagens
e de criação de páginas com hipertextos e imagens, e
com a característica de um serviço desregulamentado de valor
adicionado à estrutura de comunicações de dados e voz, a Internet
se popularizou e se espalhou rapidamente pelo mundo
criando novos paradigmas de comunicação e de relacionamentos
pessoais e comerciais, constituindo-se num espaço
privilegiado de criação e difusão de informação e cultura.
Entretanto, central para o sucesso da Internet é sua governança,
tanto nos aspectos técnicos de infra-estrutura e
operação, como nas questões legais e regulatórias de seu uso.
Para que continue sendo universal, dinâmica, aberta e colaborativa,
faz-se necessária a preservação de certos princípios
que lhe deram tais características. Nesse ponto, o CGI.br –
Comitê Gestor da Internet no Brasil – tem um papel fundamental. Sendo um fórum constituído sobre princípios de
representatividade da comunidade, atendendo a múltiplos
interesses, com eleições democráticas dos representantes
não-governamentais e transparência de seus procedimentos,
o CGI.br é hoje uma referência internacional de modelo
para governança da Internet no contexto de cada país.
Criado por Portaria Interministerial em 1995, modificada
pelo Decreto nº 4.829, de 3 de setembro de 2003, tem entre
suas atribuições não somente a organização dos números e
nomes de domínios .br, que é operacionalizada através do
NIC.br (Núcleo da Informação e Coordenação do Ponto BR),
como também o estabelecimento de diretrizes estratégicas,
de recomendação de normas e padrões técnicos e operacionais,
a proposição de programas de P&D e de difusão, entre
outras. Todas com o objetivo de assegurar a qualidade, a eficiência
e os padrões de conduta de usuários e provedores de
Internet no País. E sua ação não se restringe ao Brasil, tendo
também uma atuação efetiva em fóruns internacionais que
discutem as questões de governança da Internet, incluindo
a participação efetiva na ICANN – Internet Corporation for
Assigned Names and Numbers, com dois de seus encontros
realizados no Brasil, e no IGF – Internet Governance Forum,
cuja reunião de 2007 foi sediada pelo CGI no Rio de
Janeiro. No plano interno, o CGI.br promove o importante
levantamento estatístico das características e do uso da Internet
e, mais geralmente, das Tecnologias de Informação e
Comunicação (TICs), criando um dos retratos mais detalhados
do impacto dessa rede no País.
Mas talvez a maior vitória do CGI.br é que a Internet no
Brasil tem a cara de nossa sociedade, de nosso País. De todos
os endereços utilizados por empresas, instituições públicas
e privadas e pessoas físicas, 83% são registrados no domínio
.br. Essa proporção é bem superior à de outros países, que
registram em média menos da metade dos endereços em
seus registros nacionais.
A revista .br se propõe ser um espaço no qual a evolução da
Internet, com suas benesses e problemas, seja analisada, pensada
e debatida de maneira clara e objetiva. Muitas questões,
que vão de conquistas da rede ao combate a crimes cibernéticos,
incluindo aspectos técnicos, legais e regulatórios, assim
como sua governança, estão em pauta. Essa é mais uma iniciativa
do CGI.br que esperamos terá o sucesso das demais.
Há discórdia na proposta de mudanças no Plano Geral
de Outorgas (PGO) feita pela Anatel. O Plano rege a atuação das
concessionárias fixas de telefonia no mercado nacional e a versão que está
em vigor foi estabelecida com a privatização do Sistema Telebrás. A Agência
quer separar a infra-estrutura de telefonia da prestação de serviços multimídia,
incluindo o acesso rápido à net. As operadoras de telefonia, de modo geral,
argumentam contra. Entre outros motivos (como aumento de custos e dupla
taxação), consideram que é um caminho contrário à convergência de serviços.
Já as empresas que buscam utilizar os acessos das concessionárias e provedores
de acesso à Internet defenderam a medida. Para embasar a discussão e
levantar os impactos financeiros, o próprio órgão regulador contratou
consultoria do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). Para o
CGI .br, a separação de infra-estruturas, funcional ou estrutural, deve ser
considerada como alternativa importante para o avanço da Internet. Essa
posição foi encaminhada por meio de carta ao ministro das Comunicações
Hélio Costa. No documento, o CGI .br coloca como uma das premissas do
debate sobre o marco regulatório a questão da universalização do acesso à
banda larga. Esse documento está à disposição para consulta no endereço
http://cgi.br/infoteca/documentacao/documento-cgibr-rede-de-transporte.pdf
A Internet segue regras próprias que, às vezes, são difíceis
de entender devido à rapidez que elas são construídas.
A essência da web pode ser entendida pelo tripé de velocidade
na propagação das informações, espírito de colaboração
planetária e conexões em tempo real. Esse pelo menos é o
senso comum em torno da rede, mas ela é bem mais complexa
do que parece ser. Resolver a governança do mundo virtual
é uma tarefa quase impossível, mas faz parte do trabalho de
instituições internacionais a criação de políticas mundiais
para olhar esse universo dentro de princípios que podem ser
compartilhados por todos os envolvidos no tema. Esse é o
conceito básico da governança da Internet que, no Brasil, tem
como o fiel da balança o Comitê Gestor da Internet (CGI.br).
Alexandre
Annenberg
Alexandre Aguiar Cardoso
Augusto Cesar Gadelha Vieira
Carlos Alberto Afonso
Demi Getschko
Flavio Rech Wagner
Manuel Lousada
Lisandro Zambenedetti Granville
Marcelo Bechara de Souza Hobaika
Marcelo Fernandes Costa
Mario Luis Teza
Nelson Simões da Silva
Gustavo Gindre Monteiro
Henrique Faulhaber
Jaime Barreiro Wagner
José Roberto Drugowich de Felício
Nivaldo Cleto
Plínio de Aguiar Junior
Renato da Silveira Martini
Rogério Santanna dos Santos
Demi Getschko
Hartmut Richard Glaser
Frederico Augusto de Carvalho Neves
O primeiro escritório na América latina do
Consórcio W3C (World Wide Web Consortium),
aberto em São Paulo, no NIC.br, reforça a posição
do Brasil nas grandes discussões sobre os
padrões tecnológicos em torno da Internet.
Fundado pelo inglês Tim Berners-Lee, um dos
maiores responsáveis pela explosão do uso da
rede em todo o planeta e criador da interface
gráfica da web, o W3C é uma estrutura de mais
de 400 integrantes que discutem formatos e padrões
capazes de garantir a web como uma plataforma
universal de comunicação. “O fato de
termos uma taxa de crescimento do uso da Internet
significativa e um mercado de mais de 100
milhões de usuários de aparelhos celulares, que certamente terão seu uso ampliado com
as novas tecnologias 3G, nos credenciou
a receber o escritório”, afirma Vagner Diniz,
gerente do W3C brasileiro.
Vagner Diniz,
gerente do
escritório do W3C
no Brasil: “Vamos
levar relevância
para o debate
sobre a web
mundial”.
Os fóruns internacionais de governança da Internet
trouxeram em 2008 mais de uma novidade importante
em termos de tendências para o futuro. Uma delas refere-se
à proposta de mudar – ou flexibilizar, numa expressão
mais usual – os tipos de extensão que acompanham os
endereços de navegação na Internet. A extensão mais conhecida
– .com – pode perder o predomínio que teve desde
os primórdios da comunicação virtual. Mais de 90%
dos sites brasileiros, por exemplo, têm a extensão .com.
br, que denota atividade comercial na rede. Mas, a partir
de 2009, ela poderá concorrer com novas e curiosas opções,
algumas das quais poderão usar até nomes próprios,
como .josé ou .antonia. A proposta foi feita em junho, em
Paris, pela Internet Corporation for Assigned Names and
Numbers (ICANN), a instituição americana que organiza
os endereços de navegação da Internet mundialmente, em
um dos encontros anuais organizados por ela. A ICANN
também propôs liberar caracteres chineses e arábicos para
escrever os nomes de domínios.


As redes brasileiras de banda larga
são alvo fácil para ação de spammers de
outros países, revela estudo da Comissão
de Trabalho Anti-spam do CGI.br, realizado
pelo CERT.br. Esta foi a primeira vez
que o país mediu o abuso de suas redes
para envio de spam. “Queríamos reunir
dados estatísticos para analisar o problema.
O Brasil está sempre no alto dos mais
variados rankings de spam no mundo,
mas há muito pouca informação confiável
nessa área”, diz Henrique Faulhaber,
coordenador da comissão criada em 2005
e que vem desenvolvendo estratégias para
proteger a Internet brasileira desse mal
tão disseminado no mundo.
Com a criação da CT Anti-spam há três
anos, o CGI assumiu o papel de articulador
das ações anti-spam no Brasil e para isso
vem atuando em diversas frentes. Uma
delas tem a função de promover a discussão das melhores práticas nessa área entre
as teles e os provedores de conteúdo.
Seminários realizados em 2005 culminaram
com a produção do documento Tecnologias
e Políticas de Combate ao Spam,
que reúne uma série de recomendações
técnicas, como o fechamento de proxies
abertos, a implementação de SMTP autenticado,
a limitação da vazão de envio
de e-mails, entre outras. Outra frente de
trabalho se move pelo terreno jurídico.
“Nosso estudo sobre a regulamentação do
assunto serviu de base para as alterações
nos projetos de lei do senador Eduardo
Azeredo (367/2003, 21/2004 e 36/2004),
que coíbem o spam e disciplinam o envio
de mensagens comerciais pela Internet”,
explica Faulhaber. Outro desdobramento
dessa iniciativa, segundo ele, foi a criação
do grupo de e-mail marketing dentro
da CT Anti-spam. “Estamos discutindo
um código de auto-regulamentação para
as empresas que usam o marketing eletrônico
de forma séria.” A conscientização
dos usuários e de administradores de
rede é outro foco da comissão, que desde
2006 mantém o site www.antispam.
br, onde vídeos educativos estão entre os
principais destaques.
Temos boas notícias na edição 2007 das pesquisas TIC:
praticamente todos os brasileiros que navegam na Internet
possuem endereço de e-mail. Houve um crescimento vigoroso
entre 2006 e 2007, de 63% para 83%, no número dos que
usam e-mail. É uma notícia gratificante, mais ainda quando
vem acompanhada de uma menor sensação de estorvo que
abusos como o spam causam aos internautas. O percentual de
pessoas que declarou receber spam passou de 52% em
2006 para 48% em 2007, o que pressupõe uma evolução nas
ferramentas de controle das pragas, não um comportamento
mais civilizado dos spammers, infelizmente...

P2P (peer-to-peer) é o nome da tecnologia que permite a transferência
de arquivos entre computadores e que há algum tempo esteve na
berlinda nos Estados Unidos. Ele agora voltou a ser manchete porque
a Federal Communications Commission (FCC) considerou que a
operadora Comcast feria a privacidade de seus usuários por meio da
prática conhecida por traffic shaping – que permite a um provedor de
dados interferir no tráfego de determinados programas ou protocolos
circulando na rede. Diversas empresas consideram o P2P uma atividade
legal. Outras pensam diferente, inclusive grandes operadoras britânicas,
como BT, Virgin, Tiscali e BSkyB. Elas fecharam um acordo para punir
clientes que baixam arquivos protegidos por direito autoral.
A Sony Ericsson relançou sua loja de conteúdo móvel PlayNow, que passa
a se chamar PlayNow Arena e onde será possível copiar músicas sem a
tecnologia DRM (Digital Right Management), utilizada pelas empresas
que oferecem esse tipo de serviço para proteger os direitos autorais e o
compartilhamento. Enfrentando um período de queda nas vendas, que
coloca em risco o quinto lugar da empresa no ranking dos fabricantes de
terminais móveis, a joint venture argumenta que a ausência de restrição
será, justamente, o seu diferencial. As músicas poderão ser baixadas pelo
celular ou pelo PC. O iTunes, campeão nas vendas digitais de músicas,
tem algumas versões sem restrição.
O Brasil está atualmente entre os 15
países do mundo com o maior número
de internautas e de sites e precisa agilizar
continuamente o tráfego de documentos
virtuais. Diante dessa realidade, o CGI.br
implementou o projeto de Pontos de Troca
de Tráfego (PTT.br). Por sua importância,
o assunto foi um dos destaques da apresentação
brasileira no II Fórum de Governança
da Internet, realizado no Rio de Janeiro,
em 2007. A idéia por trás dos PTT
é incrementar a rede de comunicação das
maiores cidades do país – São Paulo, Rio
de Janeiro, Porto Alegre, Brasília, Florianópolis,
Belo Horizonte, Salvador e Curitiba.
Em cada cidade, essas conexões de rede
deverão ficar hospedadas em múltiplos data centers, em geral, incluindo um ponto de
presença da rede acadêmica brasileira (RNP)
para que resultem em comunicação mais eficiente
entre os sites.