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Debate na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados

Tema
"Crimes Cometidos nas Redes Integradas de Computadores"

Data:
15/10/97


Debatedores


Debatedores Ausentes (convidados):

Resumo

O debate teve início com a palestra do Dr. Ivan Moura Campos. Em sua apresentação, o coordenador do Comitê Gestor abordou os seguintes temas:

Comentários do Dr. André Machado Caricatti

Dr. André Caricatti falou da dificuldade por parte da Polícia Federal de responsabilizar e punir os que cometem crime através da Internet, como fraude, destruição de banco de dados e invasão de arquivos. Ressaltou como principal preocupação estabelecer conceitos que ajudem a PF a tomar providências legais contra aqueles que causam danos a terceiros.

Palestra do Dr. José Henrique Barbosa Moreira Lima Neto

Os pontos comentados pelo Dr. José Henrique foram:

Debate

Deputado Salvador Zimbaldi (PSDB-SP) 
P
ergunta ao Dr. Ivan Moura Campos:
"Tenho um computador com muita informação sobre minha carreira política e quero ligá-lo à Internet. Existe o risco de alguém invadir meu banco de dados e destruí-lo? O que o senhor aconselha que eu faça, mantenha outro desconectado com essas informações?"

Dr. Ivan Moura Campos:
"A partir do momento em que o senhor se interligar a qualquer rede, seja ela a Internet ou mesmo uma local, existe sim o risco de invasão e dano ao seu banco de dados, até mesmo através de um vírus. A primeira recomendação que faço é que adquira um anti-vírus e o mantenha sempre atualizado. Segundo, faça cópias backup de todas as informações que estiverem em seu computador, desta forma o senhor terá como recuperá-las mais tarde caso haja algum problema. Informe-se sobre procedimentos de segurança, como a instalação de um firewall ou qualquer outro mecanismo, mas é importante que fique ciente de que não existe rede cem porcento segura".


Deputado Fernando Gabeira (PV-RJ)
Pergunta aos Drs. Ivan Moura Campos e André Caricatti:
"A rede telefônica brasileira não é toda digitalizada. O Sr. acha que a falta de digitalização aumenta ou diminui a vulnerabilidade do uso dos computadores? Eu fui vítima recentemente de uma pessoa que roubou minha senha e utilizou 60 horas de acesso à Internet. O que pode ser feito?"

Dr. André Caricatti:
"Esse é um caso recorrente que presenciamos na Polícia Federal. Mesmo constatando e registrando com provas que houve o uso indevido da senha de um usuário, portanto roubo, a PF não tem como pegar o infrator devido à inexistência de uma legislação específica. Em alguns casos, no entanto, é possível enquadrar, formar elementos suficientes para uma punição. Outro ponto importante é que os provedores precisam estar equipados para facilitar a identificação das chamadas e, conseqüentemente, dos seus clientes".

Dr. Ivan Moura Campos:
"A baixa digitalização das linhas telefônica afeta particularmente a velocidade na transmissão de dados, mas não impede que haja a comunicação. É claro que se a rede fosse digitalizada seria bem melhor. A natureza física da linha, no entanto, interfere apenas na conexão entre o provedor e a casa do usuário, portanto a transmissão acontece de qualquer forma mesmo com a pouca qualidade dos meios físicos. É importante esclarecer que a ligação entre o provedor e a Rede se faz através de linhas dedicadas".


Deputado Fernando Gabeira ao Dr. André Caricatti:
"No meu caso eu sabia os números de onde haviam sido realizadas as ligações, só que a empresa telefônica negou-se a fornecer os nomes e endereços correspondentes. O que fazer nesse caso?"

Dr. André Caricatti:
"A única opção é conseguir uma autorização judicial".

Comentário do Dr. Ivan Moura Campos:
"Outro aspecto é que as ligações locais geralmente não são bilhetadas pelas companhias telefônicas, apenas as interurbanas. Dessa forma, fica mais difícil fazer a identificação. Existe uma limitação tecnológica para achar o 'quem'".

Comentário do Dr. José Henrique:
"As interceptações telefônicas podem ser feitas para fins processuais".


Deputado Luiz Piauhylino (PSDB-PE)
Comentários:
O deputado aproveitou a oportunidade do debate para expressar sua preocupação quanto ao encaminhamento do projeto de lei do Deputado Cunha Bueno. Ele ressaltou que já recebeu inúmeras contribuições e que está ciente da responsabilidade que tem em mãos. O deputado citou como exemplo, os problemas enfrentados nos Estados Unidos devido à existência de uma legislação mal feita e adiantou que está se esforçando para que isso não aconteça no Brasil.


Deputado Domingos Leonelli (PSDB-BA)
Comentários:
"Tratar este assunto é positivo, mostra que o Brasil está em sintonia com o mundo. É preciso observar que a Constituição não tem sido cumprida no que diz respeito ao acesso e produção da informação. Tem que haver delicadeza quando for analisado o item responsabilidade. A experiência com a informação na imprensa nos mostra que talvez o modelo ideal seja responsabilizar os agentes ou seja, todos os responsáveis pela informação, em diferentes níveis. A simples definição em lei do que constitui um crime é uma medida insuficiente. Minha sugestão é que se trabalhe com a idéia de responsabilidades, ônus civis e penais".


Deputado Maluly Netto (PFL-SP)
Conclusão e comentários:

"Sem dúvida esse tema é grandioso e nossa responsabilidade, imensa. Quero enfatizar que essa Comissão não se arrepende de ter sempre dado ênfase ao setor de Informática. É bom ficar atento para o fato de que mesmo produzindo uma legislação eficiente, sempre haverá necessidade de atualização devido à rapidez dos avanços que ocorrem na área. Minha recomendação ao deputado Luiz Piauhylino é que vá mais longe, pesquise, consulte especialistas da área para que o Projeto de Lei seja compatível com as necessidades do setor".


Comentário do Deputado Luiz Piauhylino:
"aproveito para pedir aos membros da mesa que me ajudem na elaboração desse documento, uma assessoria para que o Projeto de Lei seja concluído. É um desafio".


Obs. Os membros da mesa se colocaram à disposição do deputado.