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O Mercado está preparado para assumir a Internet ? Em caso positivo, em que condições ? Em caso negativo, por que não está preparado ?
Associada à primeira questão, será que o Estado já pode retirar seu apoio à RNP (agora Internet/Brasil) ? Se não pode, qual deve ser o seu papel no futuro desta rede ?
Em um momento em que toda estrutura das telecomunicações nacional está sendo repensada, é possivel pensar o futuro da Internet/Br isoladamente ?
O interesse público estaria resguardado num regime de livre competição ? Como seria preservado o interesse acadêmico que originou a rede ?
Para qualquer estrutura de organização da Internet/Br no futuro, seja ela competitiva, não competitiva, ou numa combinação destas duas, qual, finalmente, será sua política de formação de preços, e sua estratégia de crescimento ?
Para tais
questões não existem respostas simples, tampouco
definitivas. Estas notas, no entanto, procuram apontar
alguns subsídios que levem a uma maior compreensão
sobre como os problemas com o desenho de uma estrutura
adequada de funcionamento da Internet/Br estão sendo
enfrentados.
E foi nesta perspectiva que o Comitê Gestor da Internet
decidiu criar, entre seus grupos de trabalho-GT's (para
detalhes ver Lucena, C., 1995: O Projeto Internet no
Brasil. Internet World, setembro, pgs 88-89), o GT de
Economia de Redes. A missão deste GT está segmentada em
duas dimensões: a Macroeconômica e a Microeconômica.
Na dimensão Macro, o GT procura dotar a Internet/Br de
instrumentos para que ela se coloque a serviço da
definição de um Modelo Brasileiro de Reestruturação
Industrial, em um contexto de abertura e integração
econômicas. Na dimensão Micro, o GT procura dotar a
Internet/Br de ins trumentos da teoria e prática
econômicas que dêem auto-sustentação
econômico-financeira (dentro dos critérios de
eficiência e equidade) aos seus objetivos primordiais
de:
Cobertura nacional e ampla capilaridade;
Vasta gama de aplicações, e
Baixo custo para o usuário final, com papel prioritário para a livre iniciativa.
Em se
observando as duas dimensões de sua missão, o Problema
Principal enfrentado por este GT adquiriu também duas
dimensões: a Macro e a Micro. Na dimensão Macro, o GT
entende que no processo de abertura comercial
recentemente instaurado no Brasil foi eliminado o antigo
modelo econômico, baseado na substituição de
importações, e nada (aparentemente) foi colocado em seu
lugar.
Como a economia do próximo século é a economia que se
baseia na produção, estoque e circulação de
Informação e Conhecimento, e como a Internet é um dos
mais poderosos instrumentos de dinamização desta Nova
Economia, o problema central é saber O Que se deve fazer
para a Internet/Br auxiliar nesta transição, Como
fazer, Para Quem fazer e a Que Ritmo, de modo a tornar o
país economicamente bem posicionado no século XXI.
Na dimensão Micro, o GT entende que apesar de estar
crescendo em magnitude, diversidade e velocidade
surpreendentes, a Internet está sujeita a uma série de
Ponto de Estrangulamento, dentre os quais, destacam-se o
seu Congestionamento do Tráfego e a Segurança das
Informações. Estes pontos, se não diagnosticados a
tempo, podem constituir verdadeiros gargalos para um
crescimento auto-sustentado da rede, e, conseqüentemente,
obstacularizar os objetivos econômicos maiores do país.
Neste sentido, o GT, que é composto atualmente de um
grupo de professores de economia de algumas das mais
respeitadas universidades brasileiras, vem elaborando
estudos e organizando atividades, como seminários
internacionais e nacionais, que procurem dar o suporte
necessário para uma trajetória satisfatória ao
desenvolvimento da Internet neste país.
Prof. José Carlos Cavalcanti (jcc@di.ufpe.br) é Professor Adjunto do
Departamento de Economia da Universidade Federal de
Pernambuco-UFPE e Coordenador do Grupo de Economia de
Redes da Internet no Brasil.